O conselho de administração da Petrobras demitiu nesta segunda-feira (6) o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da estatal, Cláudio Schlosser. Ele era o responsável pelas áreas de vendas e formação de preços de combustíveis.

A demissão ocorre em meio à pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para reverter um leilão de venda de gás de cozinha realizado na semana passada. O leilão resultou em ágios de até 117% sobre o preço normal do produto nas refinarias da estatal.
Procurada, a Petrobras não comentou o motivo da decisão, apenas informou que seu conselho aprovou o encerramento antecipado do mandato de Schlosser. Ele será substituído pela atual diretora de Transição Energética, Angélica Laureano.
Schlosser ingressou na Petrobras em 1987 e assumiu a diretoria em 2023, ainda na gestão de Jean Paul Prates. Ele foi um dos poucos diretores da época mantido na posição pela substituta de Prates, Magda Chambriard. Sua principal atribuição era encontrar mercados para a produção de petróleo e combustíveis da estatal, incluindo a formação de preços.
Na semana retrasada, a Petrobras havia suspendido a realização de um leilão para venda de volume equivalente a 11% do consumo mensal de GLP (gás liquefeito de petróleo), o gás de cozinha, à espera de uma subvenção federal para mitigar impactos da guerra no Irã.
A oferta foi retomada na semana passada e culminou com elevados ágios sobre o preço normal, o que irritou o presidente Lula. Em entrevista na quinta-feira (2), ele classificou o leilão como “bandidagem” e afirmou que sua realização desrespeitou a orientação do governo e da direção da Petrobras.
“Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra”, declarou o presidente da República.
Em resposta, o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) se manifestaram contra o leilão. O MME encaminhou a questão à Secretaria de Defesa do Consumidor (Senacon), e a ANP anunciou fiscalização sobre a Petrobras.
Naquele dia, apurou-se que a cúpula da Petrobras já estudava o cancelamento da oferta. Internamente, o discurso da empresa reforçava o argumento de Lula: o leilão teria sido realizado à revelia da direção.
Nesta segunda-feira, o governo anunciou uma subvenção de R$ 850 por tonelada de GLP importado. O mercado, no entanto, demonstra incerteza sobre como proceder, uma vez que o gás vendido nos leilões já foi repassado ao mercado a preços superiores.
“As distribuidoras já repassaram o aumento aos revendedores e esses valores não irão voltar ao patamar anterior”, afirmou José Luiz Rocha, presidente da associação de revendedores de gás de cozinha. A entidade solicita um aumento nos valores do programa Gás do Povo, que fornece botijões gratuitos para 15 milhões de famílias, para cobrir os repasses. Caso contrário, segundo Rocha, revendedores poderão se descredenciar do programa, uma das principais bandeiras eleitorais de Lula.
Fonte: UOL