Joana Vasconcelos apresenta jardim imersivo no Farol Santander

Joana Vasconcelos apresenta “Jardim do Éden”, instalação imersiva com flores luminosas e artifício, no Farol Santander, São Paulo.

A artista portuguesa Joana Vasconcelos apresenta sua obra “Jardim do Éden” no Farol Santander, em São Paulo. A instalação imersiva convida o público a uma caminhada por um ambiente onírico, onde flores luminosas conectadas por fibra óptica criam um labirinto cintilante.

A obra explora a fricção entre natureza e artifício, com um jardim inteiramente fabricado que busca preservar uma dimensão sensorial e contemplativa. Vasconcelos utiliza flores de plástico, inspiradas em modelos decorativos de um restaurante chinês, que foram desenvolvidas ao longo de três anos com um sistema próprio de iluminação por fibra óptica.

O resultado é um padrão contínuo de flores multiplicadas pelo ambiente, que, atravessado por luz e cor, altera a percepção do visitante. “Uso a repetição para alcançar um nível de abstração que projeta o espectador em outra dimensão”, explica a artista.

Vasconcelos, conhecida por deslocar objetos banais para um regime de maior densidade simbólica, aplica essa técnica ao usar materiais simples de baixo custo, que ganham escala e complexidade na instalação. Para ela, o valor reside na forma como os materiais são apresentados, e não necessariamente neles próprios.

Esta é a primeira vez que a artista, com exposições no Brasil desde os anos 2000, traz uma obra dessa dimensão ao país. Ela identifica afinidades entre sua produção e o contexto brasileiro, destacando o uso da cor e o caráter dinâmico da cultura local. “O Brasil é um país em transformação, diferente do peso histórico português. Essa ideia de que as coisas podem tornar-se outras coisas é muito forte aqui”, afirma.

A artista questiona categorias como valor, luxo e riqueza, vendo-as como construções passíveis de deslocamento por meio da forma e do contexto. Ela também aponta para uma herança cultural difusa em sua obra, citando artistas como Maria Helena Vieira da Silva e Paula Rego.

Vasconcelos acredita na função transformadora da arte, mesmo que indireta, especialmente em momentos de conflito e instabilidade global. “Os artistas ajudam, sem discurso direto, a transformar a realidade em um lugar melhor”, conclui.

Flores luminosas em instalação de Joana Vasconcelos.
Instalação "Jardim do Éden" de Joana Vasconcelos no Farol Santander.
Detalhe de borboletas de plástico em obra de Joana Vasconcelos.
Detalhes da obra que mescla elementos naturais e artificiais.

Fonte: UOL

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