Irã lidera mortes e desaparecimentos em rotas migratórias desde 2023

Irã lidera registros de mortes e desaparecimentos em rotas migratórias desde 2023, com 3.995 casos. Saiba os motivos e os riscos.

Desde 2023, o Irã registra o maior número de mortes e desaparecimentos em rotas migratórias, com 3.995 ocorrências até 16 de fevereiro. Este número representa 15% de todos os casos globais no período, segundo dados da Organização Internacional de Imigração (OIM).

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A análise abrange dados compilados pela OIM desde janeiro de 2014. Mundialmente, 75.921 migrantes foram confirmados mortos ou desapareceram em rotas até 16 de março. Historicamente, o Irã acumula 5.786 casos em trajetos entre o Afeganistão e o país, e do Irã para a Turquia. O país superou os Estados Unidos (5.123 casos na fronteira com o México), mas ainda está atrás da Líbia, com 20.786.

O alto número de casos no Irã está ligado à crise de refugiados sírios e às rotas perigosas do Mediterrâneo Central e do deserto do Saara. O país registrou um pico em 2024, com 1.508 ocorrências em seu território.

Riscos nas rotas migratórias

Porta-vozes da OIM apontam que as rotas de entrada e saída do Irã são perigosas devido a fatores geográficos, ambientais e de proteção. Condições climáticas extremas, como travessias montanhosas no inverno, trilhas remotas com acesso limitado a serviços, violência, abuso e transporte inadequado contribuem para os incidentes.

Fatores que impulsionam a migração

Danny Zahreddine, professor de Relações Internacionais da PUC Minas, atribui o aumento do fluxo migratório ao retorno do Talibã ao poder no Afeganistão e à saída dos EUA do país, somados à deterioração econômica do próprio Irã. A falta de oportunidades de trabalho e a instabilidade social levam afegãos a buscarem rotas irregulares, muitas vezes exploradas por criminosos.

A degradação econômica do Irã, agravada por sanções, seca e desemprego, também impulsiona a migração para a Turquia e o Iraque em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Tendências e desafios

A rota do Afeganistão é a quinta com mais incidentes globais, enquanto a do Mediterrâneo Central é a mais letal. O pico de mortes e desaparecimentos em rotas migratórias ocorreu em 2024, com quase 9.000 casos. A OIM sugere que a diminuição em 2025 pode refletir tanto um declínio real de pessoas em rotas perigosas quanto atrasos na comunicação de dados e cortes orçamentários em organizações humanitárias.

Restrições de financiamento e limitações impostas a atores humanitários dificultam a coleta e verificação sistemática de dados. A organização coordena a assistência a migrantes vulneráveis nas fronteiras com o Irã, oferecendo ajuda financeira, transporte, refeições e cuidados de saúde.

Fonte: UOL

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