Apesar de não desenvolver uma Inteligência Artificial generativa própria, o Brasil tem potencial para liderar em suas aplicações nos negócios. Essa é a visão de Manoel Lemos, especialista e curador de IA do SP Innovation Week, que ressalta a urgência de adotar a tecnologia em áreas específicas para evitar que o país fique para trás.
O cenário global passou por transformações significativas desde a queda do Muro de Berlim em 1989. Aquele evento marcou o fim da bipolaridade mundial, com os Estados Unidos emergindo como potência hegemônica, impulsionados por seu poder militar, econômico, tecnológico, financeiro e cultural, simbolizado pela universalidade do dólar.
Contudo, a participação dos EUA no PIB global diminuiu de 22,2% para 14,7%, enquanto outras nações, como a China e a Índia, apresentaram taxas de crescimento mais elevadas. Essa mudança levou a uma fragmentação global, com a formação de blocos econômicos e a tecnologia se tornando o principal motor de transformação.
A inovação tecnológica tem impulsionado a produtividade, criado novos setores industriais e otimizado processos, impactando o mercado de trabalho e a globalização da informação. As grandes empresas de tecnologia, com seu conhecimento e capital, tornaram-se potências financeiras com influência política e econômica.
O ambiente atual é descrito pelo acrônimo Vuca (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo). A disputa por minerais raros e o desenvolvimento da inteligência artificial são exemplos dessa contínua transformação.
O Brasil busca agregar mais valor às suas exportações, como evidenciado pelo projeto Nova Indústria Brasil do Mdic, que visa criar cadeias produtivas locais para os minerais do país. A adaptação às novas realidades econômicas, financeiras, tecnológicas e educacionais é vista como essencial para a sobrevivência e o sucesso do Brasil neste cenário em constante mudança.
Fonte: Estadão