O roubo e furto de cargas tem gerado preocupação no governo federal desde 2024, com um prejuízo financeiro estimado em R$ 1,2 bilhão apenas naquele ano, segundo estudo da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça.
Um levantamento mais recente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região (SETCESP) registrou 2.774 ocorrências de roubos de cargas na Grande São Paulo em 2025, sem contar os furtos diários em terminais logísticos.
Esses números impactam a economia ao encarecer custos que são repassados ao consumidor final. A região metropolitana de São Paulo inclui o Terminal de Cargas de Guarulhos, o maior da América Latina, e serve como elo para polos logísticos como o Aeroporto de Viracopos e o Porto de Santos.
Combate Integrado e Inteligência
Uma resposta eficaz contra as organizações criminosas exige políticas públicas baseadas em inteligência e ações integradas das forças policiais, com participação ativa do setor empresarial.
O programa Rede Carga, coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, busca ampliar a integração entre as polícias no combate a esses crimes. O programa oferece apoio logístico e financeiro, custeia diárias para operações conjuntas entre estados e dialoga com o setor empresarial para obter subsídios para a resposta estatal.
Um exemplo dessa colaboração foi a Operação Redecarga, realizada em março de 2026 em 16 estados, que recuperou 48 mil itens avaliados em mais de R$ 6 milhões.
Papel Ativo do Setor Empresarial
As ações estatais são complementadas pela postura ativa do setor empresarial na prevenção e combate a esses crimes. A infiltração de criminosos em estruturas empresariais para obter informações privilegiadas sobre cargas, horários e falhas de segurança é um ponto de atenção.
Empresas devem realizar investigações internas para identificar irregularidades e, com base em indícios concretos, adotar as medidas criminais cabíveis por meio de seus departamentos jurídicos.
A colaboração e proatividade empresarial são decisivas durante as investigações policiais. O fornecimento rápido de informações relevantes e a sugestão de diligências podem auxiliar significativamente as autoridades.
Programas de Integridade e Ética
O ambiente empresarial moderno, especialmente com a Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013), exige programas de integridade bem estruturados. Estes programas devem garantir políticas internas focadas em reputação, conformidade legal e cultura de ética, essenciais para a prevenção de fraudes e corrupção.
A implementação dessas medidas traz benefícios diretos e indiretos. Além da potencial recuperação de prejuízos, transforma o ambiente empresarial, reduz riscos e impactos econômicos, potencializa respostas estatais e contribui para um mercado mais saudável e competitivo.
O enfrentamento a esses crimes é um dever alinhado ao postulado Constitucional de segurança pública como dever do Estado e responsabilidade de todos, conforme o art. 144 da Constituição Federal.
Fonte: Estadão