Energia renovável se protege da volatilidade com contratos de longo prazo

Energia renovável se protege da volatilidade de preços com contratos de longo prazo (PPAs), garantindo investimento e financiamento para o setor.

A queda acentuada nos preços da eletricidade nos últimos dias, com mínimas de 0,18 euros/MWh e raramente superando os 10 euros/MWh na última semana, tem levantado preocupações sobre a rentabilidade da energia solar fotovoltaica. No entanto, a grande maioria da capacidade instalada de energia fotovoltaica, cerca de 90% (50 GW), possui contratos de longo prazo com grandes consumidores, conhecidos como PPAs (Power Purchase Agreement). Esses acordos protegem os promotores da volatilidade dos preços e garantem um nível mínimo de receita, mitigando os riscos de baixa rentabilidade.

Os PPAs são acordos de compra e venda de energia limpa a um preço fixo, firmados entre produtores e consumidores, como empresas que demandam grandes volumes de eletricidade ou comercializadoras. Eles asseguram a origem verde da energia e facilitam o acesso a financiamento para os investidores. Existem duas modalidades: PPA Onsite, onde a planta de geração está próxima ou nas instalações do comprador, e PPA Offsite, onde a conexão é feita através da rede elétrica.

A existência desses contratos tem evitado uma situação tão crítica quanto a observada em 2024, quando os preços da eletricidade despencaram após a crise energética decorrente da Guerra da Ucrânia. Promotores menores, sem volume para negociar PPAs e ainda atrelados aos preços de mercado (merchant), representam cerca de 10% do total e podem enfrentar dificuldades. Horas com preços zero ou negativos geralmente não são cobradas, a menos que especificado no PPA.

Um desafio futuro reside na renovação desses contratos, muitos com duração de 10 anos, e na negociação de novos acordos, especialmente com a queda nas cotações dos mercados a prazo (farwards). O setor aponta que projetos de energia renovável necessitam de um preço estável entre 35 e 45 euros/MWh, idealmente combinado com soluções de armazenamento de energia.

A assinatura de PPAs facilita o financiamento de investimentos, uma vez que bancos que antes financiavam projetos merchant, como o Sabadell, deixaram de fazê-lo. Por isso, a maioria das novas instalações conta com PPAs, que permitem obter financiamento em prazos de 10 a 15 anos, alinhados com os períodos de amortização.

Grandes Players e PPAs

Empresas elétricas verticalmente integradas, como Iberdrola, Naturgy e Endesa, firmam PPAs significativos. A Iberdrola possui contratos em diversos países com grandes corporações como Amazon, Meta e Google, impulsionada pela demanda de centros de dados e inteligência artificial. No ano passado, a empresa assinou 15 acordos totalizando 1.251 MW.

A Naturgy, por sua vez, fornece energia renovável a longo prazo para grupos industriais como Draxton e Gestamp na Espanha, além de ter forte presença em energia eólica na Austrália. A Endesa firmou um PPA de 11 anos com a Saint-Gobain, cobrindo 55% das necessidades de energia do grupo francês na Espanha, e também ampliou um contrato com a entidade pública andorrana FEDA.

Além dos contratos diretos entre geradoras e consumidoras industriais, as comercializadoras também fecham acordos para abastecer seus clientes. A Endesa, por exemplo, tem um contrato com a Verbund Green Power Iberia para o fornecimento de energia verde de um parque eólico em Huelva.

O mercado global de PPAs registrou um desempenho robusto em 2025, com a assinatura de 55,9 GW em contratos de longo prazo, segundo o relatório Corporate Energy Market Outlook 2026. Os Estados Unidos lideram esse mercado, com a União Europeia também impulsionando acordes após a recente crise energética.

Fonte: Cincodias

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