A oficialização de Ronaldo Caiado como presidenciável do PSD terá impacto político para a candidatura à reeleição da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra. A guinada à direita do seu partido no cenário nacional dificulta a estratégia que ela vem adotando de distanciamento da oposição ao governo Lula e dá munição ao grupo político de seu principal adversário na corrida eleitoral deste ano, o prefeito do Recife, João Campos. Procurada, Raquel não se manifestou.
Quando trocou o PSDB pelo PSD de Gilberto Kassab, no ano passado, Raquel fez um movimento pragmático de aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pernambuco é a terra natal do petista, que tem base eleitoral sólida no Estado. A governadora tentava, portanto, afastar o estigma da oposição tucana para consolidar uma relação de cooperação administrativa com o Palácio do Planalto.
Segundo apurou a Coluna do Estadão, com o PSD consolidando um palanque presidencial alinhado à direita e ao viés bolsonarista que Caiado carrega, a oposição em Pernambuco já articula a narrativa de atrelar a imagem da governadora ao discurso de seu correligionário nacional.
Túlio Gadêlha se filia ao PSD
Para tentar equilibrar essa balança, Raquel mantém conversas estratégicas visando compor a chapa com nomes de centro-esquerda. O exemplo mais recente foi o empenho em atrair o deputado federal Túlio Gadêlha para o PSD. Ele se filiou ao partido nesta quinta-feira, 2.
Apesar do cerco político, a estratégia de comunicação de Raquel Lyra nas redes sociais sugere um caminho de “blindagem” focado no bairrismo regional. A governadora tem intensificado o uso da bandeira de Pernambuco em suas publicações. Algumas vezes vestindo o símbolo pernambucano, em outras estendendo a bandeira sobre a cabeça, o corpo ou sobre o solo.
A leitura é de que ela busca ressaltar que sua bandeira é a de Pernambuco e não os lemas de partido A, B ou C.
Raquel Lyra tem aval da presidência do PSD para manter-se neutra na disputa presidencial. Quando o partido anunciou a candidatura de Caiado, por exemplo, ela não fez qualquer manifestação.
Fonte: Estadão