Um porta-contêineres francês e um navio-tanque japonês realizaram as primeiras travessias pelo Estreito de Ormuz desde o início do conflito no Irã, que havia praticamente fechado a rota marítima estratégica.


O porta-contêineres CMA CGM Kribi, ligado à Europa Ocidental, deixou o estreito na sexta-feira. É o primeiro navio com essa conexão a atravessar a região em mais de um mês. Paralelamente, a japonesa Mitsui OSK Lines confirmou que um navio de gás natural liquefeito (GNL) de sua copropriedade também fez a travessia, um caso inédito.
O tráfego no Estreito de Ormuz diminuiu drasticamente desde os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel ao Irã, com poucas embarcações conseguindo passar. A maioria eram navios de países aliados de Teerã, que obtinham pré-aprovação iraniana para rotas próximas à sua costa.
As travessias dos navios francês e japonês indicam uma possível mudança nesse cenário, embora não esteja claro se isso é resultado de negociações diplomáticas ou de acordos pontuais entre empresas. França e Japão solicitaram um cessar-fogo e defendem a reabertura do estreito.
Alguns navios passaram a pagar taxas de trânsito ao Irã como parte de um sistema em desenvolvimento. A Mitsui OSK e a CMA CGM se recusaram a comentar se os navios em questão efetuaram tais pagamentos.
Até o momento, a maioria das embarcações que cruzaram o estreito pertencia a países com relações amistosas com o Irã. Alguns, como o Paquistão, negociaram acordos bilaterais para garantir passagem segura, utilizando rotas próximas à costa iraniana ou um trajeto pelo litoral de Omã.
Controle iraniano sobre o estreito
O Irã busca consolidar um controle de longo prazo sobre o estreito, estabelecendo um sistema de pedágios em uma via marítima vital para o abastecimento global de petróleo e gás. Essa iniciativa preocupa países árabes do Golfo e pode elevar os custos para consumidores.
O rastreamento de navios na região é dificultado por interferência de sinais e práticas de falsificação. O CMA CGM Kribi, com bandeira de Malta, manteve-se próximo à costa iraniana, passando por um canal entre as ilhas de Qeshm e Larak.
O navio-tanque de GNL Sohar, aparentemente sem carga, alterou seu destino para o terminal de GNL de Qalhat, em Omã. A embarcação, registrada como omanesa, circulou pelo Golfo Pérsico no último mês.
Fonte: Infomoney