O fenômeno El Niño, com chegada prevista para o segundo semestre, trará um “desastre térmico” para o Brasil, com ondas de calor intensas, especialmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Especialistas alertam que 2026 pode se tornar o ano mais quente da história da humanidade.


O que você precisa saber
- Há 80% de chance de o El Niño se estabelecer no Pacífico no segundo semestre.
- O fenômeno pode intensificar ondas de calor, aumentar a frequência de noites quentes e agravar doenças.
- O calor extremo afeta a produtividade agrícola, causa incêndios e eleva o custo de energia e alimentos.
Impacto global e intensidade
O El Niño ocorre quando as águas do Pacífico equatorial ficam acima da temperatura média por pelo menos três meses. Esse aquecimento colossal, comparável a uma piscina do tamanho da Amazônia Legal, desequilibra a atmosfera, enfraquece ventos e concentra umidade na América do Sul, gerando extremos climáticos globais. A intensidade exata do fenômeno ainda é incerta, mas se for forte ou muito forte, pode superar 2024 em termos de calor.
Quando e como se manifesta
Os primeiros sinais do El Niño surgem por volta do Natal, mas o fenômeno se desenvolve entre abril e junho, atingindo seu pico de intensidade entre outubro e fevereiro do ano seguinte. O calor intenso é garantido pela soma do El Niño com o aquecimento global e o desmatamento, que elevam o desequilíbrio energético da Terra. As ondas de calor no Brasil têm aumentado em área afetada e frequência, com duração cada vez maior, superando dez dias em alguns casos. As noites quentes, com mínimas que não baixam significativamente, também contribuem para os efeitos nocivos à saúde e ao bem-estar.
Efeitos no bolso e no campo
O calor extremo impacta diretamente o orçamento familiar, com o aumento do consumo de energia para refrigeração e a elevação dos preços de alimentos, especialmente hortifrutigranjeiros, devido à redução da produtividade agrícola. O fenômeno também pode influenciar os invernos, tornando-os mais quentes, embora episódios pontuais de frio intenso ainda possam ocorrer. A região Sul pode enfrentar risco de deslizamentos e cheias em rios caso as chuvas fiquem acima da média.
Regiões específicas
No Sudeste, o calor é a marca principal do El Niño. Na Amazônia, o impacto sobre o ciclo de cheias pode ser limitado, com um possível atraso no início do novo ciclo hidrológico. O Nordeste pode sofrer com o atraso ou enfraquecimento das chuvas no sertão, agravado por fatores não climáticos. Já o Centro-Oeste, especialmente o Pantanal, corre risco de aumento de incêndios florestais devido à combinação de seca, altas temperaturas e baixa umidade.
Fonte: Infomoney