O União Brasil, recém-federado com o PP, está enfrentando uma significativa debandada de deputados que ameaça reduzir sua bancada em quase metade. Antes do período de janela partidária, o partido contava com 59 parlamentares, mas ao menos 22 já deixaram ou indicaram a saída, com expectativa de que mais dezesseis sigam o mesmo caminho. O partido já foi a terceira maior bancada da Câmara.
Os parlamentares que deixam a legenda citam a necessidade de ter um palanque mais competitivo em seus estados. No entanto, também expressam críticas à condução partidária do presidente Antonio Rueda, cuja habilidade política é questionada. Rueda não respondeu aos contatos da reportagem.
Pauderney Avelino (AM) atribui a Rueda parte da responsabilidade pela debandada, afirmando que o presidente não tem experiência política. Kim Kataguiri (SP), que deixou o União para fundar a bancada do partido Missão, aponta a incompetência da direção nacional e conflitos regionais como fatores cruciais para o abandono de colegas. Ele também ressalta que a ausência de um programa partidário leva os membros a saírem por conveniência política.
Uma das saídas mais notórias foi a do deputado Danilo Forte (CE), que migrou para o PP. Forte buscava ser o nome do União para disputar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU), mas alega que a falta de cumprimento de acordo por parte de Rueda motivou sua decisão. Ele afirma que tinha apoio da bancada e do líder Pedro Lucas (MA) para a indicação, mas que Rueda se esquivou.
Forte declarou que, diante da situação e das exigências da política, optou por seguir seu rumo, enquanto Rueda continua com seu gerenciamento político focado em interesses pessoais acima do partido. O União Brasil foi formado pela fusão do PSL com o DEM e teve seu registro aprovado em fevereiro de 2022. Dois anos depois, o partido já enfrentava uma crise interna que levou à substituição de Luciano Bivar (PE) por Rueda na presidência.
Divergências internas aprofundaram as fragmentações no União. No final de 2022, o partido se dividiu novamente na escolha de um novo líder de bancada na Câmara, com Rueda nomeando Pedro Lucas para o posto, atropelando trâmites partidários. Em reuniões posteriores, parlamentares como Leur Lomanto Júnior (União-BA) defenderam a reconciliação para evitar que o partido fosse alvo de chacota, lembrando o apelido “Desunião Brasil”.
Além dos problemas com Rueda, a decisão de federar com o PP gerou impasses regionais, com membros do União disputando o controle de diretórios estaduais. Em Alagoas, por exemplo, aliados de Alfredo Gaspar relatam que Rueda prometeu o controle do diretório estadual, que acabou nas mãos do grupo de Arthur Lira, levando Gaspar a se filiar ao PL. Há também reclamações sobre intervenções unilaterais de Rueda em diretórios sem aviso aos parlamentares e prefeitos.
No início de março, Mendonça Filho (União-PE) pediu o cancelamento da federação devido aos entraves regionais e também migrou para o PL. O partido tenta conter a sangria, com o líder da legenda e o próprio Rueda buscando convencer parlamentares a permanecerem, mas com sucesso limitado.
Fonte: Estadão