Especialistas recomendam a compra antecipada de passagens aéreas devido ao reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras. O aumento, que reflete a expectativa de alta nos combustíveis em geral após a ofensiva americana e israelense contra o Irã, deve ser repassado aos passageiros em até três meses.
Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da UFPE, sugere a compra imediata de passagens. Ela explica que, embora as companhias aéreas fechem contratos de combustível com seis meses de antecedência, a proximidade das férias e do segundo semestre, períodos de maior demanda, pode antecipar o repasse do aumento.
O reajuste de março já havia elevado o preço do combustível em 9,4%. Com os aumentos de março e abril, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) estima que o querosene de aviação passe a representar cerca de 45% dos custos operacionais das companhias aéreas, um aumento significativo em relação ao terço anterior.
Menos voos, mais lotação
Adriano Pires, economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), projeta uma alta de 15 a 20% nas passagens aéreas nos próximos meses, impulsionada pela valorização do petróleo. Ele adverte que o cenário global impacta o Brasil e que os passageiros precisarão se adaptar à nova conjuntura.
Pires compara a situação atual à da pandemia de covid-19, prevendo que a alta do combustível pode levar as companhias aéreas a reduzir o número de voos. Essa medida, embora necessária para absorver parte dos custos, pode resultar em voos mais lotados, com ocupação média já próxima de 90%.
A valorização do petróleo, que impacta o preço do QAV, é impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra no Irã. Apesar de o Brasil produzir 80% do querosene de aviação consumido internamente, o preço acompanha o mercado internacional, que já vinha sofrendo aumentos em outras regiões.
Parcelamento no repasse do reajuste
Em paralelo ao anúncio do aumento do QAV, a Petrobras propôs condições especiais de pagamento para as distribuidoras. A ideia é que elas comprem o combustível com um aumento inicial de 18% e parcelem o restante em até seis vezes a partir de julho de 2026.
Essa medida pode diluir o impacto do aumento nas passagens aéreas. No entanto, Falcão expressa preocupação com a viabilidade da operação a longo prazo, dependendo da conjuntura geopolítica internacional.
O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta com ações para aliviar a pressão sobre o setor aéreo. Entre as sugestões estão a redução temporária de tributos sobre o QAV, a diminuição do IOF para operações financeiras das companhias aéreas e a redução do Imposto de Renda sobre contratos de leasing de aeronaves.
A criação de uma nova linha de financiamento do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac) para a compra de combustível também está em análise. Pires ressalta a importância do transporte aéreo no Brasil, dada a ausência de alternativas como trens para longas distâncias e as condições das estradas.

Fonte: G1