O Partido Socialista Brasileiro (PSB) tem aberto suas portas para aliados do governo Lula que não se identificam com a migração para o PT. Após filiar o ex-tucano Geraldo Alckmin e abrigar a deputada Tabata Amaral, a sigla agora conta com duas lideranças ligadas ao liberalismo: a ministra Simone Tebet e o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco.
Tebet, que deixou o MDB após quase 30 anos, filiou-se ao PSB na sexta-feira passada. Na quarta-feira seguinte, Pacheco, com histórico em partidos de centro e direita como MDB, DEM, União Brasil e PSD, desembarcou na legenda, buscando apoio de Lula para sua pré-candidatura ao governo de Minas Gerais.
Com 16 deputados federais, cinco senadores e três governadores, o PSB se posiciona estrategicamente no campo progressista. A legenda se torna um destino para aliados de Lula que desejam permanecer em alianças eleitorais visando a reeleição do presidente.
Carlos Siqueira, presidente do PSB entre 2014 e 2025, defende a entrada de Alckmin, Tebet e outros liberais, que ele prefere chamar de “democratas”. Ele argumenta que os partidos devem se adaptar às exigências políticas do momento.
Tabata Amaral, integrante da executiva nacional do PSB, vê a filiação de Tebet não como uma adesão simples, mas como um reflexo da conjuntura política atual, especialmente com o bolsonarismo em posição competitiva para as eleições.
A expansão do PSB para além da esquerda socialista já gerou desafios no passado. Durante o governo Bolsonaro, a bancada do partido na Câmara frequentemente se dividia, com desobediência partidária e divergências internas. Essa heterogeneidade era resultado de uma abertura promovida pelo então presidente Eduardo Campos, que buscava formar um amplo arco de alianças.
A votação da Reforma da Previdência em 2019 causou uma crise interna, com um terço dos deputados do PSB sendo alvo de pedidos de expulsão por votarem a favor do projeto. Siqueira afirma que o objetivo atual é atrair “democratas com sensibilidade social”, diferenciando-os de liberais como Paulo Guedes.
O jantar que reuniu Pacheco, Alckmin e João Campos, principais articuladores da vinda do senador, teve como argumento a unidade do PSB em torno de sua candidatura ao governo de Minas Gerais, buscando dissuadi-lo de outras legendas.
Simone Tebet, que disputou a Presidência em 2022 pela “terceira via” e atraiu apoio de figuras proeminentes da economia e dos negócios, reconheceu as diferenças com o DNA do seu novo partido. Ela mencionou sua ligação com o agronegócio e uma visão progressista em direitos humanos, aliada a uma postura mais liberal na economia, acreditando que esse equilíbrio pode fortalecer o partido e a frente ampla para eleger Lula.
Além dos liberais, o PSB também tem se fortalecido com a filiação de nomes da esquerda, como Flávio Dino (hoje ministro do STF) e Marcelo Freixo. O partido busca um “socialismo criativo”, com foco em economia criativa, sustentabilidade e empreendedorismo, visando um diálogo mais amplo para além da esquerda tradicional.
Fonte: Estadão