Bolsas Mundiais Disparam e Petróleo Estabiliza Perto de US$ 100

Bolsas mundiais disparam com otimismo sobre fim de conflito no Oriente Médio. Petróleo estabiliza perto de US$ 100. Ibex 35 e mercados europeus registram altas expressivas.

Os mercados financeiros globais iniciaram abril com forte otimismo, impulsionados por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um possível fim da guerra no Oriente Médio. Apesar de desmentidos posteriores por parte do Irã, as falas de Trump sobre uma resolução em poucas semanas e um discurso aguardado em Washington trouxeram alívio aos investidores. A Bolsa de Nova York registrou sua melhor sessão do ano em 31 de março, e a tendência de alta se espalhou pela Ásia e Europa nesta quarta-feira.

full
full
full
full

As bolsas europeias apresentaram altas próximas a 3%, marcando a melhor sessão em um ano, ecoando o otimismo gerado por anúncios anteriores de Trump sobre tréguas comerciais. O preço do barril de Brent chegou a cair abaixo dos US$ 100, mesmo sem avanços concretos na reabertura do Estreito de Ormuz. Analistas da Macroyield observaram que Trump demonstrou novamente sua habilidade em acalmar os mercados com esforços verbais, obtendo sucesso relativo.

Investidores reagem com alívio à perspectiva de resolução de um conflito que gerou uma crise energética e pressionou índices bursáteis em março. O Dax alemão, o Cac francês e o Euro Stoxx 50, por exemplo, chegaram a cair 10% de seus picos. Tai Hui, estrategista-chefe de mercados para Ásia-Pacífico da JPMorgan Asset Management, destacou que a busca por distensão por parte dos EUA pode aumentar o apetite por risco no curto prazo, embora volatilidade persista se a estratégia militar americana mudar.

Pouco antes da abertura em Wall Street, Trump afirmou que o Irã solicitou um cessar-fogo, condicionado pelos EUA à abertura do Estreito de Ormuz. Teerã negou o pedido, evidenciando a complexidade do fim das hostilidades. No entanto, as altas nas bolsas e a queda nos preços do petróleo persistiram. O S&P 500 avançava 0,8% minutos antes do fechamento europeu.

O Ibex 35 espanhol encerrou o dia com alta de 3,11%, aproximando-se dos 17.600 pontos, em sua melhor sessão desde 10 de abril do ano anterior, quando Trump anunciou trégua em guerra comercial. As bolsas europeias fecharam com ganhos de cerca de 3%. O dólar apresentou leve queda, e os títulos do Tesouro americano continuaram em alta. O rendimento do título de 10 anos, que havia chegado a quase 4,5%, recuou para 4,3%.

Na bolsa espanhola, a maioria dos valores do Ibex 35 registrou ganhos, com exceção da Repsol, que caiu 5,23% devido à desvalorização do petróleo, e Enagás, com recuo de 1,28%. A Indra teve uma queda inicial de 8% após a notícia de que seu presidente, Ángel Escribano, cogita renunciar, mas recuperou parte das perdas e terminou com alta de 3,13%. A ACS liderou os ganhos com 7,06%, seguida por ArcelorMittal (6,46%), Sacyr (6,09%) e IAG (5,65%).

O otimismo com o fim dos ataques ao Irã e fatores técnicos influenciaram a sessão. A queda acentuada do Brent se deve não apenas à expectativa de fim da guerra, mas também a uma mudança no contrato de referência na Intercontinental Exchange (ICE) de Londres, que passou a ser o de entrega em junho. O fechamento de posições vendidas também contribuiu para a alta das bolsas, com investidores recomprando ações diante da possibilidade de resolução do conflito.

Otimismo na Ásia

As bolsas asiáticas encerraram o primeiro dia de abril com valorizações expressivas. O Nikkei japonês subiu 5,6%, o Shanghai Composite chinês avançou 1,47%, e o Hang Seng de Hong Kong ganhou 2,2%. O Kospi sul-coreano registrou alta superior a 8%. As bolsas asiáticas foram duramente afetadas pelo conflito devido à dependência de petróleo e gás do Oriente Médio, exportados pelo Estreito de Ormuz.

O preço do Brent, que se moderou para cerca de US$ 100 após atingir quase US$ 120 na véspera, não reagiu à advertência da Agência Internacional de Energia (AIE) de que abril seria pior que março para os mercados de energia. O trânsito marítimo no Estreito de Ormuz permanece restrito, indicando que o Irã utiliza o local como ponto estratégico. Trump sinalizou que a reabertura de Ormuz não é um objetivo central dos ataques nem um requisito para o fim do conflito, embora tenha reiterado que o cessar-fogo depende da liberação do estreito.

Drones iranianos continuaram a atacar infraestruturas energéticas no Golfo Pérsico, e os Emirados Árabes Unidos se mostraram dispostos a ajudar os EUA a abrir o Estreito de Ormuz pela força. O Catar informou sobre um ataque de drone iraniano a um petroleiro em seu território.

Juan José Fernández Figares, da Link Gestión, alertou que, apesar do otimismo, a recuperação do mercado é incerta. O preço do petróleo não retornará facilmente aos níveis pré-conflito, gerando incerteza sobre a inflação e o crescimento. A Macroyield aponta dúvidas sobre a sustentabilidade da reação positiva do mercado, incluindo a veracidade das declarações e a futura abertura do Estreito de Ormuz sob o regime iraniano atual.

O ouro subiu pelo quarto dia consecutivo, superando os US$ 4.700 a onça, apesar de ter registrado sua pior queda mensal em março desde outubro de 2008. O euro avançou 0,5% frente ao dólar, que havia se valorizado 2,4% em março, tornando-se um porto seguro durante a guerra, em parte por ser a moeda de pagamento do petróleo. A renda fixa não funcionou como refúgio em março, resultando em perdas generalizadas.

Fonte: Cincodias

Adicionar um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Imagens e vídeos são de seus respectivos autores.
Uso apenas editorial e jornalístico, sem representar opinião do site.

Precisa ajustar crédito ou solicitar remoção? Clique aqui.

Publicidade