Câmara aprova MP do IOF com impacto de R$ 20 bi; texto segue ao Senado

Câmara aprova parte da MP do IOF com atualizações patrimoniais e impacto fiscal de R$ 20 bi. Texto com medidas fiscais segue para o Senado.
MP do IOF — foto ilustrativa MP do IOF — foto ilustrativa

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira o texto-base de um projeto que permite a atualização patrimonial de bens móveis e imóveis, incorporando medidas fiscais da medida provisória (MP) alternativa ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que perdeu validade. O texto, relatado pelo deputado Juscelino Filho (União Brasil-MA), foi ajustado a pedido do governo e agora segue para o Senado, com 275 votos favoráveis e 133 contrários.

A proposta cria o Regime Especial de Atualização e Regularização Patrimonial (Rearp), permitindo a atualização do valor de bens lícitos e a regularização de ativos não declarados ou declarados incorretamente. A expectativa é que a medida gere arrecadação extra para a recomposição fiscal do governo. Juscelino Filho defendeu a proposta como uma medida de “Justiça tributária” e essencial para manter programas como o Pé-de-Meia.

“Estamos tratando de uma medida que faz justiça tributária e faz controle de gastos do Governo para mantermos programas importantes como o Pé-de-Meia”, afirmou o relator.

Além do Rearp, Juscelino incluiu no projeto parte das iniciativas da MP do IOF, focadas em controle de gastos e aumento de Receita, com um impacto estimado em R$ 20 bilhões. Essa manobra, criticada pela oposição como “jabutis”, gerou reações no plenário, com destaque para a orientação de voto contrário do PSOL, partido que acabara de ganhar seu segundo ministério com a posse de Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência.

Parlamentares do PSOL criticaram a inclusão do programa Pé-de-Meia entre as medidas do projeto, argumentando que, embora apresentado como ampliação de investimentos, na prática implicaria cortes no Orçamento da educação.

“O Pé-de-Meia é um bom programa, mas ele foi apresentado como uma medida a mais e não parte do orçamento. O resultado prático é corte”, declarou Tarcísio Motta (PSOL-RJ).

A insatisfação se estendeu a partidos ideologicamente distantes, como PL e Novo, que sustentaram que o texto foi usado para ressuscitar trechos da MP 1.303, que havia perdido validade.

“O projeto é bom, mas colocaram a MP 1.303 de carona. É uma artimanha que nos pressiona”, disse Gilson Marques (Novo-SC).

Entre os dispositivos aprovados estão:

  • Restrição a compensações tributárias, com expectativa de arrecadar R$ 10 bilhões no ano que vem.
  • Ajustes no seguro-defeso, como a exigência de registro biométrico e comprovação de domicílio do pescador na região do período defeso.
  • Inclusão do programa Pé-de-Meia no piso constitucional da Educação e retirada do teto de R$ 20 bilhões para aportes da União.
  • Redução do prazo do auxílio-doença concedido por análise documental (Atestmed).
  • Limitação da compensação previdenciária entre regimes ao valor previsto na lei orçamentária.

Hildo Rocha (MDB-MA) levantou preocupações sobre o seguro-defeso, afirmando que o dispositivo restringe o acesso ao benefício, pois obriga o pescador a apresentar nota fiscal do produto, dificultando o recebimento mesmo com a intenção de combater fraudes.

O relator também manteve medidas de menor impacto fiscal, relativas à tributação de empréstimos de ações e títulos e ao regramento para contabilizar perdas com hedge internacional na base de cálculo da CSLL.

Recuo sobre FGTS Destrava Votação

Na reta final, Juscelino retirou do parecer o trecho sobre a antecipação do saque-aniversário do FGTS. A decisão ocorreu após reunião entre o presidente da Câmara, Hugo Motta, e o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan. O Ministério da Fazenda se opunha à inclusão do dispositivo, que limitava operações de crédito com base no FGTS, anulando decisão recente do Conselho Curador do fundo.

O ajuste foi considerado crucial para destravar a votação e preservar o entendimento com o Ministério da Fazenda, que pressionava pela aprovação da proposta ainda na semana.

Novas Alíquotas e Prazos para Regularização Patrimonial

O texto aprovado ampliou a alíquota do Imposto de Renda sobre a atualização de bens de 3% para 4% para pessoas físicas. Para pessoas jurídicas, a cobrança será de 4,8% de IRPJ e 3,2% de CSLL. O relator também autorizou a atualização de bens localizados no exterior.

Na modalidade de regularização, a multa aumentou de 15% para 100% sobre o imposto devido. O prazo de adesão foi reduzido de 210 para 90 dias, e o parcelamento dos tributos caiu de 36 para 24 meses. O período mínimo de manutenção dos bens atualizados foi encurtado para cinco anos para imóveis e dois anos para outros bens.

O governo trabalhou pela votação nesta quarta-feira, visando à retomada das discussões do Orçamento de 2026. A aprovação representa um alívio após a caducidade da MP do IOF, que enfrentou falta de consenso. Interlocutores da Fazenda afirmam que o texto aprovado garante o essencial para recompor receitas e oferece uma “solução segura” sem reabrir conflitos políticos.

Deputados em votação na Câmara.
Câmara dos Deputados em sessão de votação.
Prédio da Câmara dos Deputados.
Sede da Câmara dos Deputados.

Fonte: InfoMoney

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