Polymarket: Estudo aponta 25% de volume inflado por wash trading

Estudo da Universidade de Columbia revela que wash trading inflou em 25% o volume de negociações na plataforma de previsões Polymarket nos últimos três anos.
wash trading Polymarket — foto ilustrativa wash trading Polymarket — foto ilustrativa

Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade de Columbia revelou que uma parcela significativa do volume de negociação na Polymarket, uma proeminente plataforma de previsões, tem sido artificialmente inflada. Segundo a análise, aproximadamente 25% das compras e vendas realizadas na plataforma nos últimos três anos foram resultado de operações de ‘wash trading’, uma prática onde os usuários negociam entre si para simular atividade e liquidez.

Wash Trading na Polymarket: Detalhes do Estudo

O artigo, publicado na plataforma de pesquisa SSRN, ainda não passou por revisão por pares. Ele aponta que a estrutura de criptomoedas da Polymarket facilita a ocorrência desse tipo de comércio artificial. Os autores não atribuem diretamente a prática à Polymarket, mas sim a características que permitem sua execução. O ‘wash trading’ é uma forma de manipulação de Mercado que não adiciona valor ou informação real à plataforma.

Essa descoberta ganha relevância em um contexto onde o volume de negociações em plataformas de previsão tem crescido, levantando questões sobre a veracidade da atividade. Essas plataformas são frequentemente vistas como termômetros coletivos de eventos, mas o volume inflado pode distorcer a percepção de sua força e da ‘sabedoria das multidões’ que elas teoricamente representam.

Yash Kanoria, professor da Escola de Negócios de Columbia e um dos coautores, expressou esperança de que a Polymarket receba a análise de forma positiva, destacando o valor de distinguir o volume autêntico do inautêntico.

Metodologia e Descobertas dos Pesquisadores

Os pesquisadores desenvolveram algoritmos para analisar a atividade na Polymarket, aproveitando o fato de que as transações ocorrem na blockchain pública da Polygon. Eles identificaram cerca de 14% das carteiras da plataforma com um padrão de atividade consistente com wash trading. Essas carteiras negociavam frequentemente entre si e raramente com outros participantes do mercado.

O estudo aponta que o percentual de wash trading na Polymarket variou consideravelmente. Em dezembro do ano passado, atingiu cerca de 60% do total, caindo para 5% em maio deste ano e, em seguida, retornando para aproximadamente 20% no início de outubro. Essa volatilidade pode estar ligada a fatores como rumores sobre a emissão de tokens pela plataforma, uma prática comum no setor de criptoativos para recompensar usuários ativos.

As apostas em categorias específicas mostraram variações: o volume fictício representou 45% em apostas esportivas e 17% em eleições.

Contexto Regulatório e Próximos Passos

A Polymarket já enfrentou escrutínio regulatório. Em 2022, a plataforma firmou um acordo de US$ 1,4 milhão com a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) dos EUA por operar como uma exchange não registrada. Investigações posteriores foram encerradas sem novas sanções, e a empresa planeja retornar ao mercado americano após a aquisição da exchange QCX.

O estudo sugere que a ausência de taxas de transação na Polymarket e sua natureza descentralizada, permitindo múltiplas carteiras anônimas, favorecem o wash trading. A conclusão dos autores é que o volume pode ser um indicador pouco confiável da atividade real em exchanges baseadas em criptomoedas, especialmente quando carecem de mecanismos de controle adequados.

A prática de wash trading tem sido um problema recorrente na indústria cripto, com estudos anteriores indicando que ela pode representar uma parcela muito maior do volume em exchanges não reguladas, distorcendo rankings e a percepção de mercado.

Fonte: Valor Econômico

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