A Europa consolida sua posição como a maior região produtora e exportadora de chocolate do mundo, mantendo um papel central na cadeia de suprimentos global.



A indústria de chocolate europeia, apesar do aumento nos custos de produção, continua a registrar crescimento. Alemanha e Bélgica se destacam nesse cenário, liderando um sofisticado sistema de comércio e manufatura.
Segundo um relatório de fevereiro do Centro Holandês para a Promoção de Importações (CBI), o mercado europeu de chocolate foi avaliado em aproximadamente US$ 52 bilhões (cerca de €44,86 bilhões) no ano passado.
O CBI também cita um estudo da Mordor Intelligence, que projeta um crescimento para US$ 52,38 bilhões (€45,19 bilhões) em 2026 e para cerca de US$ 65,78 bilhões (€56,75 bilhões) até 2031. Esse aumento é impulsionado pela tendência de “premiumização” e pela forte demanda sazonal.
Como principal fabricante de chocolate, a Europa é a maior importadora mundial de cacau em grão e também de produtos semielaborados, como pasta, manteiga e pó de cacau.
O continente abriga importantes centros de comércio, especialmente nos portos do Mar do Norte, e apresenta as maiores taxas de consumo de chocolate per capita globalmente.
No entanto, a Páscoa deste ano traz um custo mais elevado para os consumidores, com o aumento dos preços do chocolate em toda a região devido a restrições de oferta e maiores custos operacionais.
Alemanha e Bélgica: Coração da indústria de chocolate
A Alemanha mantém sua liderança na indústria europeia de chocolate. Dados de 2025 da Eurostat indicam que o volume de vendas de chocolate e preparações de cacau no país atingiu aproximadamente €9,42 bilhões.
O país é o principal fornecedor para o mercado interno da União Europeia, com uma vasta base industrial que produz desde barras de chocolate de massa até produtos sazonais.
Fabricantes alemães têm registrado uma demanda persistente e robusta, com o país exportando mais de 4 milhões de toneladas de produtos à base de cacau anualmente.
A Bélgica figura como a segunda potência premium do continente, onde a indústria se destaca mais pelo prestígio do que pelo volume.
Dados da Eurostat do ano passado mostram que as exportações belgas foram avaliadas em cerca de €3,04 bilhões, um valor que ressalta o alto valor agregado dos pralines e ovos de luxo belgas.
Enquanto a Alemanha domina em volume, a Bélgica é o centro da tendência de “premiumização”, abrigando muitos dos principais chocolatiers do mundo.
Os portos de Antuérpia e Bruges continuam sendo rotas cruciais para as matérias-primas que alimentam essa manufatura de alto padrão, garantindo que o chocolate belga mantenha seu padrão de qualidade global durante a temporada de Páscoa.
Polônia e Holanda: Novos mercados e centros logísticos
Um dos desenvolvimentos mais notáveis no mercado europeu é a rápida ascensão da Polônia. Firmemente estabelecida como a terceira maior exportadora em valor na UE, a Polônia se tornou um importante centro de manufatura para marcas multinacionais.
De acordo com dados da Eurostat de 2025, as exportações de chocolate polonês foram avaliadas em aproximadamente €2,49 bilhões. O país tem experimentado alguns dos aumentos de preço mais acentuados da região, em torno de 32%.
Apesar dessas pressões inflacionárias, as modernas instalações de produção da Polônia e sua posição estratégica na Europa Central permitiram que ela superasse concorrentes ocidentais mais estabelecidos em termos de crescimento.
A Holanda completa o grupo dos quatro maiores, desempenhando um papel único e indispensável como a espinha dorsal logística da indústria.
Embora o valor de suas exportações de chocolate acabado tenha sido de cerca de €1,21 bilhão, este número não reflete totalmente a influência do país. A Holanda é o maior processador de cacau em grão do mundo, e o Porto de Amsterdã serve como o principal ponto de entrada para as importações de cacau no mercado europeu.
Como principal importadora de grãos crus e uma das maiores exportadoras de manteiga e pó de cacau, a indústria holandesa fornece os componentes essenciais que os fabricantes alemães, belgas e poloneses utilizam para criar a maioria de seus produtos acabados.
Com o apetite global por chocolate continuando a crescer, os principais exportadores e produtores europeus parecem bem posicionados para manter seu domínio no mercado.
Parece que, no mundo do chocolate, a Europa não tem intenção de deixar sua liderança derreter.
Fonte: Euronews