Donald Trump aceitou uma proposta do Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A decisão foi comunicada em postagem na rede Truth Social, onde o presidente americano afirmou que o Irã se comprometeu a reabrir o Estreito de Hormuz durante a trégua.



Segundo Trump, o cessar-fogo visa acalmar os ânimos dos países árabes sob ataque do Irã no golfo Pérsico. Funcionários da Casa Branca informaram que Israel também fará parte da trégua, assim como o Líbano, embora o gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu tenha posteriormente declarado que o acordo não inclui o território libanês.
Trump declarou que os objetivos militares foram atingidos e excedidos, buscando um “acordo definitivo de paz de longo prazo com o Irã e paz no Oriente Médio” nos próximos 15 dias. A contraproposta iraniana de dez pontos, antes considerada insuficiente, servirá como base para as negociações, que abordarão o programa nuclear e os sistemas de mísseis balísticos do país.
O Irã confirmou que as negociações com os EUA ocorrerão em Islamabad, capital do Paquistão, a partir de sexta-feira (10). A proposta iraniana inclui o trânsito controlado pelo estreito de Hormuz, o fim da guerra contra o Irã e grupos aliados, e a retirada das forças de combate dos EUA de todas as bases regionais. O país também busca a suspensão de todas as sanções e o pagamento de indenização.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã confirmou que a proposta aos EUA incluiu a aceitação do enriquecimento de urânio, mas reiterou que a guerra não terminou. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que o país suspenderia seus ataques se as operações contra ele cessassem, e um funcionário militar americano confirmou a interrupção dos ataques dos EUA.
O trânsito seguro por Hormuz será possível durante as duas semanas em coordenação com as Forças Armadas iranianas. Um funcionário ouvido pela agência Associated Press indicou que o plano inclui a permissão para que Irã e Omã cobrem taxas de navios que transitam pelo estreito, com o Irã utilizando os recursos para reconstrução.
A intervenção da China foi crucial para pressionar o Irã a desescalar o conflito, com o cessar-fogo aprovado pelo novo líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei. Trump acredita que a China influenciou o Irã a sentar-se para negociar.
Na prática, o prazo para a reabertura do estreito de Hormuz, por onde transita 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, foi adiado pela quinta vez. O anúncio ocorreu pouco antes da expiração do prazo dado por Trump para que o Irã aceitasse a medida, sob pena de destruir a infraestrutura civil do país.
A decisão reafirma a estratégia de Trump de elevar ameaças e fazer imposições para obter vantagens. O presidente americano havia publicado postagens com linguagem agressiva e ameaçado destruir o Irã em uma noite, mas a teocracia persa, demonstrando capacidade adaptativa, insistiu em não negociar sob bombardeio.
As negociações, mediadas pelo Paquistão, pareciam ter avançado, mas os beligerantes elevaram a temperatura militar. Os EUA atacaram alvos militares na ilha de Kharg, de onde sai a maior parte do petróleo iraniano, enquanto Israel atacou ferrovias civis e uma petroquímica. O Irã retaliou contra um complexo semelhante na Arábia Saudita, mantendo a tensão no mercado.
Enquanto isso, o Irã também atacou um petroleiro perto de Omã e edifícios no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. A rotina de bombardeio a Israel também seguiu, com drones e mísseis disparados de diversas frentes.
Fonte: UOL