Na vanguarda dos tratamentos estéticos na Coreia do Sul, a clínica You & I em Seul oferece um procedimento que injeta fragmentos de DNA de esperma de salmão na derme. O objetivo, segundo o médico Kyu‑Ho Yi, não é aumentar o volume, mas sim bioestimular a pele, promovendo um ambiente dérmico mais saudável e sua recuperação.






Essa abordagem tem raízes na medicina regenerativa e na cura de feridas, onde fragmentos de DNA de peixes demonstraram potencial para estimular o reparo de tecidos em pacientes com cicatrizes de combate. Embora a pesquisa científica ainda seja limitada, alguns estudos sugerem que os polinucleotídeos purificados do esperma de salmão podem ajudar a reduzir linhas de expressão, melhorar a hidratação, a oleosidade, a textura e as rugas da pele, conforme aponta o professor Joshua Zeichner, do Hospital Mount Sinai.
A popularidade da K-Beauty, tendência sul-coreana no setor estético, impulsionou a disseminação global desses tratamentos, promovidos por celebridades. Paralelamente, ganham destaque outros procedimentos considerados incomuns, como máscaras faciais de excrementos de pássaros e tratamentos faciais vampíricos.
Beleza Ancestral e Ingredientes Atuais
A história da beleza revela práticas antigas que hoje podem parecer estranhas. Relatos indicam que Cleópatra se banhava em leite de burra azedo, enquanto mulheres em Mianmar utilizam a pasta thanaka, feita de casca de árvore moída, para fins decorativos e proteção solar.
Remédios romanos para manchas incluíam intestinos de crocodilos filhotes moídos. No entanto, ingredientes como cúrcuma, Centella asiatica e algas marinhas, utilizados em terapias ancestrais, persistem em produtos modernos devido às suas propriedades hidratantes e anti-inflamatórias.
Um estudo de 2022 sobre produtos de tratamento de pele italianos do século 12, mencionados por Trota de Salerno, confirmou a eficácia de ingredientes como vinagre e feijão-fava para higiene facial, esfoliação e tratamento de pele seca. O ácido tartárico, extraído do óleo de tártaro, é um exemplo de ingrediente comum em tratamentos atuais.
Tratamentos Faciais de Gueixas e Máscaras Menstruais
O chamado “tratamento facial das gueixas” utiliza excrementos de rouxinol, purificados e misturados a outras substâncias, para clarear a pele e remover maquiagem. A ciência por trás disso reside nas altas concentrações de ureia e guanina presentes nos excrementos, que podem suavizar a pele e possuem efeitos hidratantes e clareadores.
É crucial notar que esses tratamentos empregam excrementos purificados e modificados, não devendo ser replicados com materiais coletados aleatoriamente. A pesquisa sobre esses procedimentos, muitas vezes, é financiada pela indústria da beleza.
Em contraste, a máscara menstrual, que utiliza sangue da menstruação, gera ceticismo entre os especialistas. Embora um estudo de 2018 tenha sugerido que o plasma menstrual pode auxiliar na cicatrização de feridas, a aplicação tópica em máscaras faciais é vista mais como uma tendência viral do TikTok do que um tratamento eficaz.
Tratamentos Vampíricos e Plasma Rico em Plaquetas (PRP)
O tratamento facial vampírico, ou PRP, que envolve a injeção de plasma rico em plaquetas do próprio paciente, mostra um potencial mais promissor para o rejuvenescimento da pele. O processo concentra fatores de crescimento, proteínas que estimulam o reparo celular, e sua aplicação visa melhorar a elasticidade, reduzir rugas e pigmentação.
A eficácia do PRP pode variar devido a diferenças nos equipamentos de centrifugação e nas concentrações naturais de fatores de crescimento no sangue do indivíduo. A medicina regenerativa explora o uso de fatores de crescimento em diversas áreas, incluindo tratamento de osteoartrite, alopecia e cura de feridas.
O Futuro dos Tratamentos de Pele
O futuro dos tratamentos de pele pode envolver novas formas de suplementação de colágeno. Um estudo recente indicou que aminoácidos específicos podem melhorar a textura, hidratação e elasticidade da pele, além de reduzir sua idade biológica.
Pesquisas exploram também a manipulação do microbioma da pele, com o desenvolvimento de prebióticos e posbióticos. Cientistas sul-coreanos identificaram uma bactéria no sangue que produz posbióticos capazes de reduzir inflamações e danos ao colágeno na pele.
Contudo, a comprovação de que esses novos tratamentos oferecem benefícios superiores aos produtos tradicionais é fundamental. Especialistas como Joshua Zeichner recomendam uma rotina consistente de cuidados, incluindo protetor solar, hidratação noturna e ingredientes estimulantes do colágeno, como o retinol, em vez de tratamentos pontuais de alto custo.
Fonte: UOL