A Telefônica fechou um acordo para vender 100% de sua filial no México ao consórcio Melisa Acquisition, formado pela plataforma tecnológica Oxio e o fundo de investimento Newfoundland Capital Management. A transação está avaliada em aproximadamente 390 milhões de euros (450 milhões de dólares).
Esta venda marca a saída definitiva da operadora espanhola do mercado mexicano, alinhada com sua estratégia de desinvestimento na América Hispânica. A operação resultará em fortes perdas contábeis para a Telefônica, que investiu mais de 3.600 milhões de euros no país no início dos anos 2000.
A transação, que ainda depende da aprovação das autoridades regulatórias mexicanas, como o Instituto Federal de Telecomunicações (IFT), envolve a transferência das sociedades Pegaso PCS e Celular de Telefonía. O preço final será ajustado com base na dívida líquida e no capital de giro no fechamento do negócio.
Com esta desinvestimento, a presença da Telefônica nas Américas se concentra agora no Brasil e na Venezuela. O Brasil é considerado um mercado estratégico e gerador de caixa para o grupo.
A entrada do Melisa Acquisition, liderado pela Oxio, representa um novo player com perfil financeiro e tecnológico no setor de telecomunicações mexicano. A Oxio, especializada em virtualização de redes, já presta serviços a outros operadores móveis virtuais.
A Telefônica México vinha operando com uma estrutura de ativos mais leve, utilizando a infraestrutura da AT&T para reduzir custos operacionais. Essa estratégia de “asset-light” é refletida na avaliação da transação.
Perdas contábeis na saída do México
A entrada da Telefônica no México no início do século XXI envolveu um desembolso inicial superior a 3.600 milhões de euros, incluindo a aquisição de operadoras como Bajacel, Movitel, Norcel e Cedetel. Posteriormente, a compra da Pegaso PCS em 2002 consolidou sua presença nacional, unificando os serviços sob a marca Movistar.
Apesar dos investimentos, a alta concorrência e os custos do espectro radioelétrico dificultaram a rentabilidade. A empresa devolveu espectro e migrou seu tráfego para a rede da AT&T em 2019, antecipando a venda atual.
A Telefônica competiu por mais de vinte anos com a Telcel (América Móvil), de Carlos Slim, que detém a maior fatia do mercado mexicano. A AT&T figura em segundo lugar, seguida pela Telefônica Movistar.
Espera-se que a mudança de propriedade não cause interrupções imediatas para os usuários. O Melisa Acquisition pretende modernizar a oferta e integrar serviços digitais, mantendo os acordes de acesso para garantir a cobertura.
A Telefônica espera concluir a transferência de ações até o final do terceiro trimestre de 2026. Esta saída faz parte de um processo de transformação que visa concentrar o capital em mercados com segurança regulatória e potencial de crescimento sustentado, reforçando a estrutura empresarial na Europa.
Fonte: Elpais