As taxas dos DIs encerraram a quinta-feira em patamares próximos da estabilidade no Brasil. Investidores mantiveram a cautela, aguardando a divulgação de dados cruciais de inflação nos Estados Unidos. Declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos números da arrecadação federal de setembro, não provocaram reações significativas no mercado.
Aguardando Dados de Inflação nos EUA
O Mercado financeiro direciona seu foco para a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA, prevista para esta sexta-feira. No exterior, os rendimentos dos Treasuries registraram alta, mas essa movimentação não foi suficiente para gerar mudanças expressivas na curva de juros brasileira.
No fechamento do pregão, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,155%, uma leve queda em relação ao ajuste de 13,19% da sessão anterior. Já a taxa para janeiro de 2035 marcou 13,605%, praticamente inalterada frente aos 13,608% de fechamento. Essas variações mínimas refletem a expectativa geral pela publicação do CPI americano.
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Declarações e Cenário Político-Econômico
Durante sua visita à Indonésia, o presidente Lula sinalizou sua intenção de disputar a reeleição em 2026. Em outro momento, durante o Fórum Empresarial Indonésia-Brasil, o presidente criticou o que chamou de “receituário neoliberal” e afirmou que o Brasil não deve se contentar em ser apenas um exportador de commodities. Essas falas indicam uma possível linha de atuação econômica para um futuro governo.
Em paralelo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que a autoridade monetária está “bastante incomodada” com os níveis de inflação e as expectativas inflacionárias que se encontram acima da meta estabelecida, apesar de reconhecer um processo de desinflação em curso. Ele reforçou que a taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, permanecerá restritiva por um período prolongado como medida para conter a inflação, sem, contudo, prever quando a meta de 3% será atingida.
Arrecadação Federal e Impacto no IOF
Os dados divulgados pela Receita Federal indicaram que a arrecadação do governo federal apresentou um crescimento real de 1,43% em setembro na comparação anual, atingindo R$ 216,727 bilhões. Este resultado reverte a tendência de queda observada em agosto. Um dos pontos de destaque foi o expressivo aumento de 33,42% na arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que somou R$ 8,455 bilhões no período.
Segundo Marcelo Gomide, coordenador de Previsão e análise da Receita Federal, o aumento na arrecadação do IOF foi impulsionado por alterações promovidas pelo decreto 12.499 de 2025. Este decreto, publicado em junho, modificou a cobrança do imposto em diversas operações de câmbio, crédito e previdência privada, alinhando a tributação a novas dinâmicas de mercado.
Apesar das declarações políticas e dos números positivos da arrecadação, as taxas dos DIs mantiveram-se voláteis, mas próximas dos níveis anteriores. O dólar também registrou pouca variação em relação ao real, indicando um mercado que privilegia a prudência antes dos dados americanos. Profissionais do mercado ouvidos pela Reuters ressaltaram que a expectativa pelo CPI dos EUA manteve o mercado financeiro brasileiro em compasso de espera.
Próximos Passos e Expectativas do Mercado
A curva de juros precificava, perto do fechamento da sessão, uma probabilidade de 99% para a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, agendada para o início de novembro. Essa alta probabilidade demonstra a expectativa do mercado por uma continuidade da política monetária restritiva.
No cenário internacional, o rendimento do Treasury de dez anos, considerado uma referência global para decisões de investimento, subiu 5 pontos-base, alcançando 4,001%. Este movimento no mercado de títulos americanos reforça a cautela global enquanto os investidores aguardam os indicadores de inflação que podem influenciar as decisões futuras do Federal Reserve.
O que esperar da Inflação dos EUA?
A divulgação do CPI americano é crucial para a definição dos próximos passos da política monetária nos Estados Unidos. Números acima do esperado podem indicar que a inflação ainda é persistente, levando o Federal Reserve a manter uma postura mais dura por mais tempo. Por outro lado, dados em linha ou abaixo das expectativas podem sinalizar que as pressões inflacionárias estão cedendo, abrindo caminho para possíveis cortes na taxa de juros no futuro.
O mercado brasileiro continuará monitorando de perto esses indicadores e as decisões dos principais bancos centrais globais, que exercem influência direta sobre o fluxo de capitais e as expectativas de crescimento e inflação no Brasil. A política monetária brasileira, sob o comando de Gabriel Galípolo, segue atenta ao cenário internacional e doméstico para calibrar seus próximos passos.
Fonte: InfoMoney