STF determina regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas sem prazo

STF decide que Congresso deve regulamentar Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), mas sem definir prazo, após 37 anos de omissão. Entenda os impactos.
Imposto sobre Grandes Fortunas — foto ilustrativa Imposto sobre Grandes Fortunas — foto ilustrativa

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que o Congresso Nacional deve regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF). Contudo, a Corte não estabeleceu um prazo para que o Legislativo cumpra essa determinação, reconhecendo uma omissão parlamentar de 37 anos.

Omissão Constitucional do Congresso Nacional

A decisão do STF atende a um pedido para analisar se o Congresso está descumprindo a Constituição ao não criar uma lei que regulamente o IGF. A inclusão do tema na pauta foi articulada pelo ministro Edson Fachin. A maioria dos ministros votou pela necessidade de regulamentação, citando o objetivo constitucional de enfrentamento à desigualdade social.

Votaram a favor da determinação de regulamentação os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Kassio Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Alexandre de Moraes. No entanto, houve divergência sobre a imposição de um prazo para o cumprimento da decisão.

Definição do Imposto sobre Grandes Fortunas

Previsto na Constituição de 1988, o IGF é um tributo de competência da União, o que significa que apenas o Governo federal pode instituí-lo. Para sua efetivação, é necessária uma lei complementar que defina quem pagará o imposto e quais serão as alíquotas. A proposta é que o tributo incida sobre patrimônios de alto valor, como bens, aplicações financeiras e imóveis, acima de um determinado limite.

O ministro Flávio Dino argumentou que a omissão de 37 anos é inaceitável e defendeu a fixação de um prazo, sugerindo 18 meses. Contudo, a maioria não seguiu seu voto nesse ponto.

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF).
Supremo Tribunal Federal (STF) determina que o Congresso regulamente o Imposto sobre Grandes Fortunas.

Análise de Especialistas e Próximos Passos

O ministro Luiz Fux divergiu, argumentando que a criação de tributos compete ao Poder Legislativo e que, diante de debates já iniciados, não haveria um estado de coisas inconstitucional. Ele defendeu a autocontenção judicial e o respeito à opção política do governo.

Alexandre de Moraes reconheceu que, sem um prazo determinado pelo STF, pouco poderá ser feito caso o Congresso não cumpra a determinação. A decisão do STF impulsiona o debate sobre a tributação de grandes fortunas no Brasil, um tema que visa reduzir a desigualdade de renda e riqueza.

A expectativa agora se volta para as movimentações no Congresso Nacional, onde o debate sobre a regulamentação do IGF ganhou novo fôlego após a decisão do Supremo. A Falta de um prazo, no entanto, pode prolongar a indefinição sobre a instituição do imposto.

Fonte: Folha de S.Paulo

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