Aos 80 anos e duas décadas após ter seu mandato cassado em 2005, José Dirceu (PT) se candidata a uma vaga no Legislativo. Em entrevista, ele expressa otimismo com a possibilidade de reeleição do presidente Lula (PT), mesmo com o opositor Flávio Bolsonaro (PL) empatando em pesquisas.





Dirceu argumenta que o PT tem histórico de apresentar estabilidade institucional, inflação baixa, crescimento econômico e boa condução das relações internacionais. Caso Lula não seja reeleito, Dirceu afirma que ele liderará a oposição, pois Flávio Bolsonaro não estaria “altura” do desafio.
O ex-ministro também comentou a delação do banqueiro Daniel Vorcaro, sugerindo que, se confirmada, pode levar o país a reformas inadiáveis. Ele incluiu a necessidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) realizar uma autorreforma, citando pesquisas que indicam desejo popular por mudanças na corte.
STF e a necessidade de autorreflexão
Dirceu defende que o STF não deve temer o debate público. Ele alerta que a recusa em dialogar com a sociedade pode levar a uma maioria parlamentar que imponha mudanças, o que seria “pior”. O ex-ministro ressalta que a opinião pública mudou e que o Supremo precisa se adaptar a essa nova realidade.
Agenda polÃtica e eleitoral
Questionado sobre a possibilidade de derrota do PT nas eleições, Dirceu relembra cenários passados onde o vencedor começou atrás nas pesquisas. Ele atribui a mudança de agenda recente a escândalos, mas acredita na capacidade do PT de retomar pautas importantes para o Brasil, como a reforma tributária e a defesa da soberania nacional.
Dirceu critica a polarização em torno da corrupção, comparando-a com promessas de outros polÃticos e regimes. Ele defende que o paÃs precisa focar em problemas mais graves, como a guerra, a desestruturação da Petrobras, segurança pública, educação e tecnologia.
CrÃticas ao STF e propostas de reforma
O ex-ministro reitera que todos os Poderes precisam de reforma, incluindo o Legislativo e o Executivo. Ele questiona a manutenção do sistema de emendas parlamentares e a falta de reforma administrativa. Dirceu argumenta que a desmoralização da democracia pode justificar regimes autoritários, o que deve ser evitado.
Sobre as crÃticas de Lula a ministros do STF, Dirceu afirma não ter ouvido tais declarações diretamente, mas ressalta que o problema não é individual, mas do Supremo como instituição. Ele alerta que uma reforma imposta pelo Parlamento seria “pior” e que o STF precisa se autorreformar para não perder legitimidade.
Dirceu defende que o STF não deve se curvar à opinião pública em decisões judiciais, mas reconhece a necessidade de transparência e debate sobre temas como código de ética e limites de idade para ministros. Ele compara a situação com a de outros paÃses, onde a extrema direita cresce, mas não é invencÃvel.
A delação de Daniel Vorcaro, segundo Dirceu, pode trazer desgaste polÃtico, mas não necessariamente ligações diretas com o governo. Ele aponta que a concessão da carta-patente ao Banco Master ocorreu durante o governo Bolsonaro.
Dirceu conclui que o paÃs precisa de um “freio de arrumação geral” e de um pacto entre as forças polÃticas para enfrentar as mudanças globais e tecnológicas, sugerindo a necessidade de refundar o Estado brasileiro.
José Dirceu, 80
Formado em direito, José Dirceu foi lÃder estudantil durante a ditadura militar e um dos fundadores do PT. Presidiu o partido de 1995 a 2002 e chefiou a Casa Civil no primeiro governo Lula (2003-2005). Foi cassado e condenado pelo STF no escândalo do mensalão.
Fonte: UOL