O Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu um inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga o empresário Nelson Tanure, figura central no caso do Banco Master, por supostas ameaças e perseguição a um gestor de fundos de investimento. O caso foi remetido pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo ao STF no último dia 17.
O gestor, Vladimir Timerman, fundador da Esh Capital, acusa Tanure de comandar um esquema de intimidação e perseguição com o objetivo de silenciá-lo após denúncias feitas contra o próprio empresário. Timerman alega ter reunido evidências contra Tanure antes mesmo de o empresário se tornar alvo das autoridades.
Nelson Tanure, conhecido por reestruturar empresas em crise em diversos setores, foi alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero em janeiro, sob suspeita de envolvimento nas fraudes do Banco Master e de ser um sócio oculto da instituição. Ele nega as acusações e sustenta que Timerman não possui credibilidade.
Suposta conexão com o caso Master
O inquérito apura se as ações de monitoramento, ameaças físicas, intimidação e assédio processual relatadas por Timerman guardam relação com o modus operandi do grupo investigado no caso Master, conhecido como “A Turma”. Segundo a PF, esse grupo, comandado por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, utilizava violência e coação como uma “milícia privada” para intimidar adversários.
A defesa de Timerman argumenta que novos elementos revelados em fases posteriores da Operação Compliance Zero reforçam a tese de perseguição estruturada. Mensagens, contratos e registros apreendidos na investigação indicariam a existência de um esquema organizado para intimidar o gestor e impedir o avanço das denúncias.
Depoimento à CPI e acusações mútuas
Em depoimento à CPI do Crime Organizado, Vladimir Timerman reiterou a acusação de que Tanure seria o “poder oculto por trás do Banco Master”. Ele afirmou que Tanure teria desviado recursos para permitir que Daniel Vorcaro ressarcisse prejudicados em esquemas anteriores, sugerindo que o banco funcionava como uma pirâmide financeira.
Por outro lado, a defesa de Tanure alega que Timerman tenta reverter uma condenação judicial por perseguição ao apresentar novas denúncias. Segundo a defesa, Timerman acumula condenações e investigações por difamação, ameaças e suposta manipulação de mercado, o que, segundo eles, retira sua credibilidade.