A crise imobiliária tem limitado a mobilidade laboral, especialmente em destinos turísticos, dificultando a contratação de trabalhadores por falta de moradia. Sindicatos como CC OO e UGT propuseram que futuras construções de moradias públicas reservem uma porcentagem para atender às necessidades temporárias de alojamento de assalariados. Esta demanda faz parte de um conjunto de medidas sobre habitação apresentadas pelas centrais.
Moradia acessível para trabalhadores em zonas de alta demanda
A reivindicação por um parque de casas acessíveis para trabalhadores em territórios com alta demanda turística é um dos pontos centrais. A proposta visa financiar a criação de 50.000 a 100.000 moradias acessíveis anualmente, com foco na gestão de longo prazo e rentabilidades limitadas. Hotéis já incluem moradia na oferta de emprego para atrair trabalhadores em períodos de férias.
A partir da criação de um Fundo para uma Moradia Acessível e com a colaboração de administrações públicas, as centrais solicitam a reserva de um percentual mínimo das novas construções para trabalhadores temporários. A falta de moradia é um dos principais motivos que bloqueiam a mobilidade laboral e geram vacantes em setores com trabalhos sazonais, sendo essencial oferecer alternativas dignas.
Impacto em regiões como as Ilhas Baleares
Regiões como as Ilhas Baleares, especialmente Ibiza, enfrentam uma situação crítica devido à especulação imobiliária e ao turismo massivo, que dispararam os preços da habitação. Este cenário afeta tanto trabalhadores do setor privado quanto do público, com funcionários públicos buscando alternativas e hospitais adaptando alas para reter médicos. Muitos trabalhadores, sem condições de alugar, recorrem a moradias improvisadas como caravanas.
Negociação coletiva e o custo da moradia
A relação entre a falta de moradia e o bem-estar dos assalariados é uma preocupação crescente. Líderes sindicais apontam o preço da habitação como um dos principais problemas para o emprego nos próximos anos. As centrais defendem que os aumentos salariais negociados em convenções coletivas considerem não apenas o IPC, mas também a situação habitacional em cada território, especialmente nas áreas mais tensionadas, para ajudar os trabalhadores a arcar com os custos.
No último Acordo para o Emprego e a Negociação Coletiva (AENC), não houve medidas concretas sobre habitação. Sindicatos como a UGT reivindicam que o próximo pacto salarial inclua o preço da moradia como um indicador chave nas negociações, pois a dificuldade em encontrar trabalhadores em zonas onde os salários não permitem um aluguel digno tende a aumentar.
Fonte: Elpais