Selic: Estímulos fiscais e mercado de trabalho desafiam corte de juros, alerta economista

Estímulos fiscais e mercado de trabalho aquecido desafiam corte da Selic em 2026. Economista do Barclays alerta sobre inflação de serviços resistente.
corte da Selic — foto ilustrativa corte da Selic — foto ilustrativa

Medidas governamentais como a ampliação da isenção do Imposto de Renda (IR) e programas de subsídio para reformas de residências, somadas a um mercado de trabalho robusto e à persistência da inflação de serviços, representam um desafio significativo para o Banco Central (BC) iniciar o ciclo de corte da taxa Selic. A avaliação é de Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays.

Avanço da Atividade Econômica e Impacto Fiscal

Secemski estima que cerca de R$ 225 bilhões em estímulos fiscais e programas expansionistas poderão impulsionar a economia brasileira em 2026. Estes incluem o programa Minha Casa Minha Vida, o Sistema Financeiro Habitacional (SFH) e o programa Reforma Casa Brasil, além da isenção do IR para salários de até R$ 5 mil. Essa sustentação da atividade econômica levou o Barclays a elevar a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, de 1,7% para 2%.

Apesar do cenário de atividade aquecida, o economista projeta um ciclo modesto de redução da Selic, com corte de 2,25 pontos porcentuais ao longo de 2026, começando em março e encerrando em setembro, atingindo 12,75%. Em sua visão, o BC adotará uma comunicação bastante gradual para sinalizar o início do afrouxamento monetário, evitando precificações exageradas pelo Mercado.

Desafios na Inflação de Serviços e Mercado de Trabalho

Apesar da melhora geral da inflação, ancorada em parte pela valorização do câmbio, a inflação de serviços subjacentes (não comercializáveis) mostra resistência. Itens como aluguéis e serviços intensivos em mão de obra têm apresentado aumentos significativos. “Na superfície, vemos a atividade e a inflação se movendo na direção correta e esperada, mas essa desaceleração não é um processo maduro”, afirma Secemski.

O mercado de trabalho continua robusto, com a taxa de desemprego estável e salários reais ainda em crescimento, embora em ritmo menor. Para Secemski, a força do emprego é um dos principais fatores que justificam a cautela do BC antes de declarar a missão de controle inflacionário cumprida. Ele descarta a possibilidade de corte de juros em janeiro, a menos que haja uma fraqueza incontestável nos dados econômicos.

Comunicação do Banco Central e Cenário Fiscal

O economista sugere que o BC deve manter uma comunicação cautelosa e gradual, com inflexões progressivas nas próximas reuniões, para não comprometer a credibilidade conquistada. Mudanças abruptas poderiam desestabilizar o processo de convergência inflacionária.

Em relação ao cenário fiscal, Secemski nota um aumento na complacência do mercado com as contas públicas. Apesar de reconhecer a fragilidade estrutural do quadro fiscal brasileiro, a preocupação tem sido postergada devido a um ambiente externo mais favorável aos emergentes, um dólar fraco e o elevado “carry trade”. No entanto, ele alerta que a atual combinação de juros reais elevados e dívida pública crescente em proporção do PIB é insustentável a longo prazo.

Perspectiva para Investidores Estrangeiros

O investidor estrangeiro tem demonstrado maior entusiasmo pela moeda brasileira do que pelos juros, impulsionado pela desvalorização do dólar e pelo alto “carry trade”. A percepção é de que há mais potencial de valorização no risco cambial do que no risco de juros no curto prazo, dada a ausência de catalisadores para quebrar o atual patamar das taxas futuras.

Fonte: Estadão

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