Taxas DI sobem após Copom manter Selic alta por “período prolongado”

Taxas DI sobem após Copom manter Selic em 15% e reiterar juros altos por “período prolongado”. Veja análises e projeções para o futuro da taxa básica.
Selic alta período prolongado — foto ilustrativa Selic alta período prolongado — foto ilustrativa
Moedas de reais 15/10/2010 REUTERS/Bruno Domingos

As taxas dos DIs (Depósitos Interbancários) fecharam a quinta-feira com leves altas, após o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciar a manutenção da Selic em 15% ao ano, como esperado. O comunicado reiterou a intenção de seguir com a taxa básica em patamar elevado por um “período bastante prolongado”, visando a convergência da inflação para a meta de 3%.

No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 13,88%, com alta de 4 pontos-base ante o ajuste da sessão anterior. Já a taxa para janeiro de 2035 marcava 13,62%, com elevação de 3 pontos-base.

Copom reitera tom duro e adia corte da Selic

A decisão do Copom, em unanimidade, manteve um tom hawkish (duro com a inflação), o que praticamente elimina as chances de um corte da Selic já em dezembro. Próximo ao fechamento da sessão regular, a curva brasileira precificava 96% de probabilidade de manutenção da Selic em 15% para o último mês do ano.

O comunicado também intensificou as dúvidas entre os agentes de Mercado sobre quando o Copom iniciará o processo de cortes da Selic, com as apostas divididas entre janeiro e março de 2026.

Análises de mercado sobre o futuro da Selic

O consultor Sérgio Goldenstein, da Eytse Estratégia, manteve sua projeção de corte para janeiro, mas reconheceu uma “probabilidade relevante” de que isso ocorra apenas em março. Já o Goldman Sachs projeta corte da Selic em janeiro, mas Alberto Ramos, diretor de Pesquisa Macroeconômica para a América Latina do banco, afirmou que não se surpreenderia com uma postergação para março ou até o segundo trimestre de 2026. Ramos pontua a força da atividade econômica no Brasil, apesar da desaceleração, e medidas econômicas governamentais no horizonte como fatores que podem impactar a política monetária.

Neste cenário, as taxas dos DIs de curto prazo apresentaram ganhos desde o início da sessão, com o mercado se ajustando à perspectiva de Selic estável até janeiro ou posterior. Os vencimentos de 2027 e 2028 foram os mais negociados.

Perspectivas fiscais e cenário externo

Em Entrevista ao portal UOL, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou que o desempenho fiscal do país irá “explodir” em 2027 e reforçou que o Orçamento do próximo ano prevê um superávit nas contas públicas. Ele comparou a situação com a aprovação da PEC da Transição no fim de 2022, durante a transição para o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No cenário Internacional, em meio a preocupações com o enfraquecimento do mercado de trabalho norte-americano, os rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) seguiam em baixa no fim da tarde. O rendimento do Treasury de dez anos, referência global, caía 6 pontos-base, a 4,093%.

Fonte: InfoMoney

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