Nouriel Roubini: Cenário Brasileiro Depende de Fatores Domésticos

Nouriel Roubini avalia que cenário econômico brasileiro depende mais de eleições e política fiscal do que de tensões geopolíticas globais.

O economista Nouriel Roubini, conhecido por prever a crise financeira de 2008, afirmou que as perspectivas para a economia brasileira estão mais atreladas a questões internas, como as eleições, do que ao cenário geopolítico global.

Em palestra, Roubini destacou que o resultado das urnas definirá a trajetória do endividamento público. Ele alertou para uma possível dominância fiscal, onde déficits elevados poderiam levar à monetização da dívida.

A alta dos preços do petróleo, embora favorável ao Brasil como exportador, pode impulsionar a inflação, resultando em um cenário de crescimento menor e inflação mais alta, com impacto econômico inferior ao observado na Europa e Ásia.

Probabilidade de Escalada no Conflito no Irã

Roubini estima em 75% a probabilidade de escalada no conflito entre Estados Unidos e Irã, com 25% de chance de arrefecimento. Ele vê um cenário mais provável de recrudescimento das disputas bélicas com vitória americana (55% de possibilidade), mas alerta para os riscos de um cessar-fogo nas condições atuais, que poderia permitir ao Irã controlar o Estreito de Ormuz e gerar consequências políticas negativas para o presidente Donald Trump.

Hiper-incerteza na Economia Mundial

O economista descreveu o momento atual como um período de “hiper-incerteza”, citando conflitos como o da Ucrânia, a guerra entre Israel e Hamas, e agora o confronto no Irã. Ele também mencionou restrições comerciais impostas por Trump e os efeitos da pandemia nas cadeias produtivas.

Roubini observou a agressividade geopolítica de Trump, incluindo ações na Venezuela e retórica mais dura com Canadá e Groenlândia. Ele também abordou as dúvidas sobre uma possível bolha na inteligência artificial e o temor de problemas sistêmicos no mercado de crédito privado nos EUA.

Impacto do Conflito no Irã

Os efeitos do conflito no Irã nos preços do petróleo já superam os da intervenção de Israel na Palestina em 2025, mas devem ser menores que os choques de petróleo dos anos 70. Isso se deve à maior diversidade de países produtores, como o Brasil, e à existência de mais fontes alternativas de energia.

O prolongamento da guerra no Irã tende a piorar o impacto nos preços do petróleo e na inflação mundial, além de afetar o Produto Interno Bruto (PIB) global. Roubini sugere que os mercados precificam uma busca por solução por parte de Trump, o que pode não se concretizar.

Fonte: Estadão

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