O rápido crescimento do crédito privado tem levantado preocupações sobre potenciais riscos futuros, intensificando o debate entre bancos e credores sobre a responsabilidade por recentes colapsos financeiros. Harris Simmons, CEO do Zions Bancorp NA, expressou cautela, sinalizando que o setor precisa de atenção.
Atenção a bandeiras amarelas no mercado de crédito
Em teleconferência de resultados, Simmons destacou que a expansão acelerada do crédito privado levanta um sinal de alerta. “Quando você vê algo crescendo tão rápido, e com o tamanho deste setor, pelo menos há uma espécie de bandeira amarela”, afirmou o executivo. Suas declarações surgem em um contexto de instabilidade, após a Zions ter suas ações em queda na semana anterior, devido a uma fraude em empréstimos hipotecários comerciais. Estes incidentes, somados a falências de outras empresas do setor financeiro, aumentam a preocupação de investidores sobre a solidez do Mercado de crédito.
Comparativo com declarações de Jamie Dimon e reações do mercado
As observações de Simmons ecoam as de Jamie Dimon, CEO do J.P. Morgan, que recentemente comentou sobre a possibilidade de mais problemas no mercado de crédito, comparando a situação a encontrar “mais baratas” quando uma é vista. Essa visão gerou Reações de executivos do setor de crédito privado, como Marc Lipschultz da Blue Owl Capital Inc., que sugeriu que os bancos também deveriam examinar suas próprias operações. O debate evidencia a tensão entre as instituições financeiras tradicionais e os credores privados, especialmente em relação à gestão de liquidez e à exposição a riscos.
Riscos de contágio e a falta de recursos de liquidez
A principal preocupação levantada por Simmons é o potencial de “risco de contágio” caso o setor de crédito privado enfrente estresse financeiro. Diferentemente dos bancos tradicionais, que contam com o suporte de liquidez do Federal Reserve (Fed), os credores não bancários não possuem o mesmo “recurso estrutural de liquidez”. Embora reconheça a existência de credores responsáveis no setor, o CEO da Zions pontua a forte pressão por crescimento contínuo, o que pode dificultar a saída de uma dinâmica de risco.
Fonte: Valor Econômico