O renomado cientista Ricardo Galvão, ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), assumiu nesta quinta-feira (30) o cargo de deputado federal, em Substituição a Guilherme Boulos (PSOL-SP). Boulos tomou posse como ministro da Secretaria-Geral da Presidência no governo Lula. Galvão, que tem como filiação partidária o Rede-SP, declarou que sua saída da presidência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) visa defender a ciência no Congresso Nacional.
Conflito com Bolsonaro e Defesa da Ciência
Em 2019, ainda na direção do Inpe, Ricardo Galvão entrou em conflito com o então presidente Jair Bolsonaro (PL) ao contestar as Críticas sobre os dados de desmatamento na Amazônia. Bolsonaro acusou o Inpe de divulgar informações falsas, mas Galvão defendeu publicamente a precisão e a auditabilidade dos dados, o que culminou em sua exoneração. Em sua publicação no Instagram, Galvão comentou: “O negacionismo tentou calar a ciência, mas hoje, a ciência brasileira ocupa um lugar na Câmara dos Deputados”.
Prioridades e Pautas Ambientais e de Pesquisa
Em Entrevista ao Estadão, Galvão destacou que suas prioridades como deputado serão as pautas relacionadas ao Meio Ambiente, a Defesa de investimentos em ciência e tecnologia, e a educação. Ele ressaltou a importância da questão climática, que motivou sua entrada na política. Galvão também demonstrou preocupação com possíveis cortes no orçamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
O novo parlamentar defende ainda a repatriação de cientistas brasileiros para atuarem no setor industrial do país e a soberania em tecnologias desenvolvidas nacionalmente, citando as terras raras como um exemplo de recurso estratégico em meio à geopolítica global. Antes de confirmar sua posse, Galvão comprometeu-se a dar continuidade a agendas inacabadas do mandato de Guilherme Boulos.
Trajetória Acadêmica e Reconhecimento Internacional
Ricardo Magnus Osório Galvão é natural de Itajubá (MG) e possui doutorado em Física de Plasmas pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). É professor titular aposentado do Instituto de Física da USP e membro de prestigiadas academias científicas, como a Academia de Ciências do Estado de São Paulo e a Academia Brasileira de Ciências. Em 2019, foi reconhecido pela revista científica Nature como uma das dez pessoas mais importantes para a ciência mundial.
Fonte: Estadão