Brasil reforça Fuzileiros Navais com mísseis e novas embarcações

Brasil moderniza Fuzileiros Navais com mísseis Mansup e Max 1.2 AC, novas embarcações e batalhões litorâneos. Veja os detalhes da reestruturação e a nova ameaça.
Fuzileiros Navais — foto ilustrativa Fuzileiros Navais — foto ilustrativa

Analistas militares alertam para uma possível transferência de rotas de narcotráfico dos cartéis para a costa atlântica do Brasil. Desde que Donald Trump intensificou ações contra traficantes, dez ataques a embarcações deixaram 43 mortos, motivando a busca por novos mercados na Europa e Ásia e a evasão da vigilância dos EUA.

Essa movimentação pode envolver o uso de rotas terrestres em direção a Roraima e à bacia Amazônica. Há muito tempo, especialistas como o major do Exército Frederico Salóes apontam a conexão entre as rotas de drogas no Atlântico Sul e organizações terroristas no Sahel, África, que facilitam o transporte do entorpecente para mercados consumidores europeus e do Oriente Médio. Estima-se que um terço da droga que chega a esses mercados passe pelas rotas africanas.

Diante desse cenário e da possibilidade de ações americanas nas proximidades das águas territoriais brasileiras, a Marinha do Brasil iniciou uma importante reestruturação do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN). A iniciativa inclui a incorporação de mísseis como o Mansup e o Max 1.2 AC, a criação de cinco batalhões de operações litorâneas e a reformulação das operações ribeirinhas e da Defesa Nuclear, Biológica, Química e Radiológica (NBQR).

Reestruturação do Corpo de Fuzileiros Navais

O Corpo de Fuzileiros Navais, composto por 17.273 homens voluntários, está passando por uma reforma que começou em 2023 e tem previsão de conclusão para o início de 2026. A decisão de reestruturar o CFN surgiu em 2019, após um encontro com representantes de dez corpos de fuzileiros de outros países, incluindo EUA, França e Reino Unido.

O almirante de esquadra Carlos Chagas Vianna Braga, comandante do CFN, explica que a reestruturação abrange quatro vertentes: anfíbia, ribeirinha, litorânea e proteção NBQR. Ele destaca a crescente importância das operações litorâneas e a capacidade de influenciar o mar a partir da terra, o que se mostra fundamental para as Marinhas. Para o Brasil, com sua vocação marítima e riquezas, essa capacidade nas zonas costeiras é ainda mais essencial.

Novas Capacidades e Mísseis no Litoral Brasileiro

A Marinha manterá as capacidades anfíbias, expedicionárias e de pronto emprego, com foco em automação e Inteligência Artificial na formação de seus militares. O antigo Comando da Tropa de Reforço foi transformado no Comando da Divisão Litorânea (ComDivLit), que contará com cinco Batalhões de Operações Litorâneas localizados em Rio, Santos, Rio Grande (RS), Salvador e Natal. Estes batalhões terão capacidade expedicionária para serem transportados por meios marítimos, aéreos e terrestres.

A vertente litorânea do CFN será equipada com o míssil antinavio Mansup, cuja primeira bateria litorânea foi ativada em outubro. Ele será disparado por plataformas do sistema Astros, que oferecem mobilidade e flexibilidade para atuar em qualquer parte do litoral brasileiro. Essa estratégia se alinha com o conceito de negação de área/antiacesso (A2/AD) da Força Naval. Testes de lançamento do míssil foram realizados em dezembro de 2024, e espera-se que a versão com alcance de 200 quilômetros esteja operacional em 2026, aumentando significativamente a capacidade de dissuasão da Força Naval.

Em paralelo, a Marinha avaliou suas novas Embarcações de Desembarque Litorâneo, produzidas nacionalmente, capazes de transportar tropas e realizar diversas missões, como patrulhas, apoio de fogo e auxílio humanitário. Estas embarcações atingem velocidades superiores a 40 nós (75 km/h) e estão equipadas com armamento pesado.

Expansão das Operações Ribeirinhas e NBQR

A vertente ribeirinha do CFN foi reorganizada como Comando da Divisão Ribeirinha (ComDivRib), com três batalhões em Ladário (MS), Belém e Manaus. A divisão de Proteção NBQR terá batalhões no Rio de Janeiro, em Brasília e na Base de Aramar (SP).

A força anfíbia foi reforçada com a aquisição do navio HMS Bulwark, capaz de transportar carros de combate e veículos anfíbios. A Operação Atlas Dragão, com três navios anfíbios, testou o desembarque e o tiro de artilharia em Itaoca (Espírito Santo), demonstrando a capacidade da Marinha em projeção de força.

Novos Equipamentos e Estratégias de Defesa

Impulsionada pela troca de experiências internacionais e pelo contexto geopolítico, a Marinha e o CFN buscam modernizar a Defesa Nacional. O Corpo de Fuzileiros Navais está desenvolvendo projetos para o uso de drones militares, tanto kamikazes quanto expedicionários, para vigilância, ataque e reconhecimento. Há também planos para lançar o míssil anticarro Max.1.2 a partir de drones e viaturas, integrando um sistema expedicionário para a tropa.

Outros objetivos incluem a reformulação de obuseiros, defesa antiaérea de baixa altura e companhia de carros de combate. A Marinha também busca um substituto para seus mísseis Mistral, possivelmente com o projeto Marsup, derivado do Mansup. A meta é aumentar a capacidade antinavio, antiaérea e de mísseis táticos de cruzeiro, para garantir a execução de uma estratégia antiacesso/negação de área.

Fonte: Estadão

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