Recuperação judicial de empresas atinge recorde em 2025; agro lidera pedidos

Número recorde de empresas em recuperação judicial em 2025, com agropecuária e serviços liderando os pedidos. Juros elevados e desaceleração econômica pressionam negócios.

O número de empresas que solicitaram recuperação judicial em 2025 atingiu um recorde histórico, com 2.466 companhias buscando renegociar dívidas e reestruturar suas operações. Este dado representa um aumento de 13% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Serasa Experian. A taxa de juros elevada, mantida em 15% ao ano por um período prolongado, é apontada como um dos principais fatores que asfixiam as empresas e levam a essa situação.

O levantamento também indicou que 977 processos de recuperação judicial foram registrados no ano passado, um crescimento de 5,5% em relação a 2024. A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, ressalta que, embora o número de empresas em situação financeira difícil seja alarmante, a análise por processos pode relativizar a gravidade em comparação com cenários anteriores, como a recessão de 2016.

Crise econômica e juros elevados

Diferentemente de 2016, quando o país enfrentava uma recessão com juros e inflação altos, o cenário atual é de desaceleração econômica, impulsionada por uma taxa de juros que encarece o crédito e dificulta o rolamento de dívidas. Apesar de o Banco Central ter iniciado um ciclo de corte da taxa básica de juros, a projeção é que ela permaneça elevada, em torno de 13% ao final do ciclo, segundo a Serasa.

Essa conjuntura pressiona a saúde financeira das empresas, que acumularam endividamento ao longo dos últimos anos. A inadimplência elevada, com 8,7 milhões de CNPJs negativados em janeiro deste ano, serve como um indicador de alerta para o aumento futuro dos pedidos de recuperação judicial.

Agropecuária e serviços lideram pedidos

O setor agropecuário foi o que mais registrou pedidos de recuperação judicial em 2025, respondendo por 30,1% do total de empresas, com 743 solicitações. O setor de serviços aparece em seguida, com 739 pedidos, representando 30% do total. Empresas do comércio e da indústria também apresentaram queda em sua participação.

Riscos inerentes ao agronegócio, como variações climáticas, queda nos preços dos grãos e aumento nos custos de fertilizantes, contribuem para a pressão nas margens e na saúde financeira das empresas do setor, que recorrem à recuperação judicial para renegociar passivos.

Desaceleração no crescimento dos pedidos

Apesar do recorde em 2025, observa-se uma desaceleração na taxa de crescimento anual dos pedidos de recuperação judicial desde 2023. O crescimento foi de 36% em 2023, 26% em 2024 e 13% em 2025. Essa desaceleração, em parte, deve-se ao aumento do número de empresas ativas no país.

No entanto, a tendência é de que as empresas continuem enfrentando aperto financeiro. A economia em desaceleração, o ritmo mais lento de corte de juros e a alta inadimplência são fatores que mantêm o estado de alerta para os próximos meses. Especialistas preveem um aumento no número de pedidos de recuperação judicial até meados do próximo ano.

Fonte: Estadão

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