A Reag Investimentos anunciou a troca de sua auditoria externa, a PwC, pela RSM Brasil Auditores Independentes. A decisão ocorre após a companhia ter sido alvo da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, deflagrada em agosto para investigar o suposto uso de postos de combustíveis para lavar dinheiro da organização criminosa PCC.
Mudança de auditoria e escopo dos trabalhos
Segundo comunicado da Reag, o escopo dos trabalhos do novo auditor abrangerá a finalização das demonstrações financeiras relativas ao exercício social encerrado em 31 de dezembro de 2024, bem como a revisão das informações financeiras trimestrais de 2025. A companhia afirmou que a mudança se deu por “razões estratégicas”, com o antigo auditor manifestando anuência.
Desde a operação da Polícia Federal, que realizou busca e apreensão na sede da Reag, o grupo financeiro fundado por João Carlos Mansur tem promovido diversas movimentações societárias e venda de ativos. Recentemente, Mansur vendeu sua participação de 87,38% na Reag Investimentos, que engloba as atividades de gestão de recursos em fundos e de fortunas, para executivos da própria companhia, em uma operação conhecida como “management buyout”.
Contexto da Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto investiga um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado centenas de milhões de reais. A Polícia Federal identificou que postos de combustíveis eram utilizados como fachada para legalizar os recursos ilícitos, que seriam provenientes da facção criminosa PCC. As investigações apontam para uma complexa rede de empresas e pessoas envolvidas.
Impacto no mercado financeiro e corporativo
A investigação da PF representa um desafio significativo para a Reag Investimentos e para o mercado financeiro em geral. A substituição de uma auditoria renomada como a PwC por outra, como a RSM Brasil, pode gerar questionamentos sobre a saúde financeira e a transparência das operações da empresa. Analistas de mercado acompanham de perto os desdobramentos, buscando entender o impacto na reputação e nas operações futuras da Reag e de empresas que atuam em segmentos similares.
A venda de ativos e a saída do fundador, João Carlos Mansur, indicam um movimento de reestruturação profunda na companhia. A nova gestão, formada pelos executivos da Reag, terá a tarefa de restaurar a confiança dos investidores e do Mercado, além de lidar com as consequências da investigação policial. O setor de gestão de recursos e fortunas é particularmente sensível a questões de compliance e governança corporativa.
Fonte: Valor Econômico