A gestora Reag realizou uma manobra contábil que permitiu ao Banco Master, de Daniel Vorcaro, reduzir artificialmente em cerca de R$ 560 milhões o valor devido ao Banco de Brasília (BRB). A operação envolve compensações por transações fraudulentas.
Em agosto do ano passado, a Reag quadruplicou o patrimônio líquido de um empreendimento imobiliário de luxo em São Paulo, pertencente a um de seus fundos, o Trevi. Investidores questionam a falta de base metodológica na operação e exigem explicações.
Os ativos deste fundo foram repassados ao BRB como forma de compensar o prejuízo absorvido pela estatal em operações fraudulentas do Banco Master, que somam R$ 12,2 bilhões. Contudo, as investigações indicam que essa troca de ativos não foi suficiente para cobrir o rombo total, estimado em pelo menos R$ 8 bilhões.
O que aconteceu com o Banco Master
O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master Múltiplo em março, após indícios de emissão de títulos falsos. Como consequência, o banco de Vorcaro ficou obrigado a compensar o BRB pelo valor integral das transações irregulares. Iniciou-se então um processo de transferência de carteiras de ativos do Master para o BRB, incluindo cotas do FIP Novo Bairro.
A operação imobiliária em São Paulo
O fundo Trevi, administrado pela Reag, detém cotas do FIP Novo Bairro, que por sua vez é proprietário da Novo Bairro S/A. Esta empresa foi criada para construir um condomínio de alto padrão no bairro do Butantã, em São Paulo. Para o projeto, foram adquiridos 33 imóveis na região, com financiamento do Master.
O banco de Vorcaro investiu R$ 181 milhões no projeto entre janeiro e junho de 2024, através de quatro empréstimos com taxas de 5% ao ano mais 100% do CDI. O prazo de pagamento se estende até 2029, com os próprios terrenos como garantia. O patrimônio líquido do FIP Novo Bairro era baixo em comparação ao valor dos imóveis devido ao alto passivo gerado pelos empréstimos.
Questionamentos sobre a avaliação de ativos
Em agosto, o patrimônio líquido do FIP Novo Bairro saltou de R$ 409 mil para R$ 1,7 bilhão, sem que as dívidas fossem quitadas. Essa valorização permitiu ao Master, que detinha um terço do negócio via Trevi, abater dos R$ 12 bilhões devidos ao BRB um valor proporcional à sua participação, aproximadamente R$ 560 milhões. Investidores do projeto contestam a legitimidade dessa manobra, citando a falta de base metodológica para a nova avaliação e a ausência de comunicação de fato relevante ao mercado.
A Esfera Aquisições Imobiliárias, parceira do Master no empreendimento, enviou comunicados à gestora questionando a avaliação. Até o momento, não houve resposta.
O BRB informou que recebeu cotas de fundos de investimento em participação como parte da substituição das carteiras de crédito do Master. O banco afirma não ter participado das decisões de gestão, alocação de recursos ou definição de investimentos dos fundos, ressaltando que tais decisões são de responsabilidade exclusiva dos gestores e administradores. O BRB também declarou ter contratado uma investigação independente para apurar os fatos relacionados à operação com o Banco Master.
Fonte: Estadão