Apenas 9% das pequenas e médias empresas (PMEs) na Espanha atingiram uma adoção sólida de tecnologias-chave, apesar de 79% considerarem seu nível de digitalização como médio ou alto. A constatação é do primeiro Barômetro de Digitalização da PME Espanhola, um relatório do grupo tecnológico Gigas elaborado pela consultora Ipsos. O estudo aponta uma discrepância significativa entre a percepção dos gestores e a implementação real de ferramentas como inteligência artificial, serviços em nuvem e cibersegurança.
Cerca de 40% das empresas consultadas relataram um impacto econômico positivo resultante de seus processos de transformação tecnológica. Adicionalmente, mais de 60% das organizações associam o uso da nuvem e serviços digitais a uma maior eficiência operacional. A inteligência artificial ganha espaço no ambiente corporativo, enquanto a nuvem se consolida como infraestrutura essencial e a cibersegurança é integrada progressivamente nas agendas empresariais.
Desafios na adoção tecnológica
O principal desafio para as PMEs reside em superar a fase de experimentação com ferramentas básicas ou gratuitas em áreas secundárias. O relatório enfatiza a necessidade de investir em soluções de maior nível que impactem os processos críticos do negócio, e não apenas atividades acessórias de baixo valor agregado. A transição para uma digitalização estrutural ainda é limitada pela persistência de sistemas tradicionais e níveis de investimento reduzidos.
No que diz respeito à computação em nuvem, dois terços das PMEs espanholas já utilizam esses serviços, e 46% planejam migrar novos processos para o ambiente de nuvem nos próximos seis meses. As empresas buscam flexibilidade, eficiência e acesso a dados em tempo real. Contudo, 63% das companhias associam a nuvem à eficiência econômica, mas limitam sua aplicação a funções básicas como e-mail, pacote de escritório e armazenamento de backups.
Adoção limitada de nuvem e IA
O uso estrutural avançado da nuvem permanece em níveis minoritários. Apenas 9% das PMEs gerenciam seu Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais (ERP) na nuvem, 11% o fazem para recursos humanos e 12% para sistemas de Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM). O armazenamento de bases de dados de clientes atinge 22%, enquanto as tarefas de contabilidade e faturamento registram 23% de adoção em ambientes virtuais.
Apesar da expansão tecnológica, o servidor físico ainda detém uma presença relevante no mercado espanhol. 52% das PMEs mantêm sistemas de armazenamento locais em suas instalações, argumentando que o controle físico garante maior segurança da informação. No segmento de empresas com 10 a 49 funcionários, essa cifra sobe para 70%. O relatório classifica essa tendência como a manutenção de um “mito”, contrastando com a segurança técnica dos centros de dados especializados.
A soberania dos dados também gera posições contraditórias. 56% dos entrevistados consideram relevante que suas informações sejam hospedadas em território europeu por razões regulatórias e de segurança. No entanto, mais de 60% dos responsáveis empresariais desconhecem a localização física de seus dados na nuvem. Apesar desse desconhecimento, 88% das empresas afirmam confiar na gestão de seu provedor atual.
Barreiras e gastos em tecnologia
As barreiras para a adoção tecnológica incluem a preocupação com a proteção de dados (23% dos casos), seguida pelo custo dos serviços e a falta de percepção de necessidade. O barômetro indica que os investimentos são limitados: 43% das PMEs destinam menos de 1.000 euros anuais a serviços de nuvem, 18% investem entre 1.000 e 5.000 euros, e apenas 1% das empresas supera os 20.000 euros de gasto anual nesta área.
Em relação à inteligência artificial, 36% das PMEs utilizam atualmente soluções baseadas nesta tecnologia. O ChatGPT é a ferramenta mais difundida, com 72% de penetração entre os usuários de IA, seguido pelo Google Gemini com 43% e Microsoft Copilot com 23%. Os usos principais concentram-se na gestão documental e processamento de textos (46%), análise de dados para tomada de decisões (41%) e tarefas de marketing e vendas (38%).
A falta de habilidades digitais é identificada por 44% das PMEs como um obstáculo para a implementação de novas tecnologias. O relatório destaca que apenas 26% das empresas organizam atividades formativas regulares em inteligência artificial, cibersegurança ou computação em nuvem para seus funcionários. Essa lacuna de talentos se soma à resistência das microempresas (de 1 a 9 funcionários), que demonstram menor disposição a investir por não identificarem aplicações claras para sua atividade cotidiana.
Fonte: Cincodias