Com a nomeação de Guilherme Boulos para a Secretaria-Geral da Presidência (SGP), o PSOL enfrenta um novo cenário para a disputa eleitoral de 2026. A ascensão de Boulos ao Governo federal, a convite do presidente Lula, sinaliza sua possível ausência nas urnas no próximo pleito. Caso concorra, Boulos precisaria deixar o cargo em abril do ano que vem, limitando sua Permanência no governo a seis meses, o que torna a candidatura menos provável.
A diretoria do PSOL expressa preocupação com a provável ausência de Boulos, que foi o segundo deputado mais votado do país em 2022, com mais de 1 milhão de votos. Esse desempenho representou cerca de um quarto dos votos totais do partido no Brasil e metade dos votos em São Paulo. Apesar do desafio, a legenda acredita ser possível repetir ou até ampliar o desempenho de 2022, quando obteve 3,9 milhões de votos nacionais (sem a federação com a Rede), visando superar a cláusula de barreira e fortalecer sua bancada federal.
Erika Hilton como Puxadora de Votos em São Paulo
A estratégia do PSOL em São Paulo se baseia em três pilares: reeleição da bancada paulista, renovação de quadros e a projeção da deputada Erika Hilton como principal puxadora de votos. A presidente nacional do PSOL, Paula Coradi, destacou a atuação de Hilton, prevendo que ela pode atingir uma votação próxima ou superior a um milhão de votos, impulsionada por sua projeção como “fenômeno da vez”.
Eleita em 2022 com quase 260 mil votos, Erika Hilton, mulher trans e ativista LGBT+, expandiu sua atuação para além das pautas identitárias, abordando temas sociais amplos como o fim da jornada de trabalho 6×1. A avaliação interna é que ela conseguiu diversificar sua base eleitoral, atraindo votantes além do eleitorado tradicional do partido.
Coradi também mencionou o potencial de crescimento de outras parlamentares, como Sâmia Bomfim e a professora Luciane Cavalcanti. Além delas, a ministra Sônia Guajajara planeja deixar o governo em abril para buscar a reeleição como deputada, somando forças à bancada federal.
Disputa ao Senado e Alianças Estratégicas
A presidente do PSOL não descarta a possibilidade de Boulos concorrer ao Senado em 2026, dada a natureza polarizada e desafiadora da eleição presidencial. A legenda considera São Paulo um estado estratégico e busca alianças para garantir a vitória ao Senado, caso Boulos não concorra ao Executivo. A ministra Marina Silva (Rede), devido à federação partidária, também é vista como uma forte candidata para compor a chapa majoritária paulista.
Para renovar a bancada federal, nomes como o deputado estadual Guilherme Cortez e o ex-presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, são cotados. Cortez, com base eleitoral no interior de São Paulo, é visto como peça-chave para expandir a presença do partido. Medeiros teria o apoio de Ivan Valente, que abriria mão de sua vaga.
O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), do qual Boulos foi coordenador, planeja lançar candidatura própria pelo PSOL, com a advogada Natália Szermeta Boulos, esposa do novo ministro, sendo um dos nomes especulados. O casal, no entanto, não se pronunciou sobre o assunto.
Otimismo do PSOL com a Renovação
Guilherme Cortez reconhece que a saída de Boulos representa um desafio, mas avalia que o espaço eleitoral do PSOL em São Paulo tende a se preservar e ser compensado por novas candidaturas. João Zafalão, membro da Executiva Estadual, compartilha do otimismo, argumentando que a presença de Boulos no governo Lula pode ampliar o espaço político do PSOL, fortalecendo a sigla para as disputas de 2026.
A expectativa geral no partido é de manutenção e potencial ampliação da bancada em São Paulo, mesmo com as mudanças no cenário eleitoral e a ausência de um candidato de peso como Boulos. A estratégia se concentra em alavancar nomes como Erika Hilton e promover a renovação, consolidando a força do PSOL no estado.
Fonte: Estadão