O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, admitiu as dificuldades do partido e do pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado, em superar a polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições de 2026. Segundo Kassab, a existência de uma alternativa é importante, mesmo que resulte em derrota já no primeiro turno.






“É importante que se tenha a alternativa nem que seja para perder”, afirmou Kassab durante painel no 12º Brazil Investment Forum, realizado pelo Bradesco BBI em São Paulo. Ele explicou que, caso a candidatura avance para o segundo turno com cerca de 15% dos votos, o partido buscaria apoio.
Kassab estabeleceu uma meta de 10% nas pesquisas eleitorais para Caiado até o final de junho e início de julho, período em que a campanha eleitoral se intensifica. O objetivo é aumentar a representatividade do atual 3% para dois dígitos, conquistando eleitores insatisfeitos com os principais candidatos e aqueles que votam em branco ou nulo.
“Os votos de Lula e Flávio Bolsonaro têm rejeição maior e 40%, 43% dos eleitores não querem nenhum dos dois. Não é possível que não tenha alternativas ao segundo turno. Se não tiver, paciência. Sou um democrata e tenho que respeitar”, declarou. Ele acredita que o voto branco e nulo tende a diminuir caso surja uma proposta que atenda às necessidades do eleitor.
Críticas às emendas impositivas
O ex-deputado federal Gilberto Kassab criticou o sistema atual de emendas impositivas no Congresso Nacional, prometendo que essa prática seria encerrada em um eventual governo de Caiado. “Emenda impositivas só Caiado pode acabar e vai acabar mesmo. É uma excrecência, um sistema que (Jair) Bolsonaro criou e Lula não acabou”, disse.
Kassab lamentou que o debate político se concentre excessivamente em emendas parlamentares, em detrimento de discussões sobre políticas públicas. Ele estima que R$ 60 bilhões do orçamento são destinados anualmente a shows, eventos e recapeamento de ruas por meio de emendas impositivas, recursos que, em sua visão, poderiam ser direcionados para infraestrutura por prefeituras com apoio da União.
Ele avalia que Lula e Flávio Bolsonaro, se eleitos, dependerão de uma base fisiológica para governabilidade, pois atenderão às demandas do Congresso e não extinguirão as emendas impositivas. Kassab defende que as emendas sejam direcionadas para programas de governo, e não para atender interesses pessoais.
Propostas de reforma
Kassab também defendeu mudanças na legislação para a adoção do voto distrital. Além disso, propôs reformas no Judiciário, incluindo a fixação de uma idade mínima de 60 anos para ministros em Tribunais Superiores e a valorização do servidor público por meio de medidas administrativas.
“Os três poderes estão com problemas, as principais lideranças estão com dificuldades e parte das lideranças envolvidas tem questões que fazem com que a sociedade esteja descrente”, concluiu.
Fonte: Moneytimes