O PL (Partido Liberal) foi o maior beneficiado pela janela de troca partidária na Câmara dos Deputados, atraindo 12 novos parlamentares. A sigla aumentou seu número de deputados federais para 97, com a entrada de 20 novos integrantes e a saída de oito. O período de 30 dias, que ocorreu entre 5 de março e 3 de abril, permitiu que deputados federais trocassem de partido sem risco de cassação para disputar as próximas eleições.
O PSD (Partido Social Democrático) ficou em segundo lugar, com um saldo positivo de sete deputados federais, totalizando 47 parlamentares. O União Brasil, de onde saiu o ex-governador Ronaldo Caiado, foi o partido que mais perdeu deputados, com 17 a menos.
Mudanças impulsionadas por estratégias eleitorais
As mudanças partidárias são interpretadas como parte da estratégia de parlamentares para ampliar as chances de reeleição. Isso inclui melhor acesso a financiamento de campanhas e alinhamento com candidaturas ao Executivo estadual e nacional, especialmente com a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
O analista político Neuriberg Dias, do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), destaca que as pesquisas favoráveis a Flávio Bolsonaro contribuíram para manter a bancada do PL fortalecida.
Reforços no PL e movimentações na esquerda
Entre os novos integrantes do PL estão Alfredo Gaspar (AL) e Rosângela Moro (SP), ambos vindos do União Brasil. O partido projeta um crescimento final de 11 deputados, com 23 novas filiações e 12 saídas.
O PT (Partido dos Trabalhadores), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não filiou nenhum deputado federal e perdeu uma integrante, Luizianne Lins (CE), que migrou para a Rede. O PDT (Partido Democrático Trabalhista) foi o segundo partido que mais perdeu, com seis deputados federais a menos.
As movimentações na esquerda buscaram fortalecer palanques estaduais e a eleição nacional. Túlio Gadêlha (PE) migrou da Rede para o PSD, visando uma candidatura ao Senado e alinhamento com a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD).
Acesso a recursos eleitorais
A escolha de partidos também está ligada ao acesso ao fundo eleitoral, que deve chegar a quase R$ 5 bilhões nas eleições deste ano. Estimativas indicam que partidos de direita devem concentrar entre 80% e 90% desses recursos.
Fonte: Estadão