O Banco Central (BC) prepara o lançamento do Pix internacional, com o objetivo de expandir o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro para fora do país. A iniciativa visa criar uma experiência global, estável, padronizada e interoperável para transações financeiras.






O Pix, lançado em 2020, rapidamente se tornou o meio de pagamento mais utilizado no Brasil, superando cartões de crédito, débito e dinheiro em espécie. Agora, o BC trabalha para que essa tecnologia se torne um artigo de exportação.
Expansão internacional do Pix
A entrada em funcionamento do Pix internacional está prevista para 2027. A iniciativa não se trata de exportar o Pix diretamente, mas de interligá-lo à plataforma Nexus, desenvolvida pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS). A Nexus pretende conectar dezenas de países com sistemas de compensação financeira semelhantes ao Pix.
A expectativa é que, a partir de 2027, seja possível enviar e receber dinheiro de e para cerca de 60 países na América Latina, Europa, Ásia e África por meio do Pix internacional. O sistema calculará o câmbio entre as moedas de origem e destino e realizará a compensação em segundos.
A principal vantagem esperada é a redução de custos e tempo nas transações internacionais, diminuindo a dependência de sistemas como o SWIFT, bancos correspondentes e cartões de crédito internacionais.
Desafios e oposição
O projeto enfrenta desafios regulatórios e tecnológicos, além da necessidade de acordos com outros países e sistemas de pagamento. Relatórios do governo norte-americano, por exemplo, expressam preocupação com o Pix, alegando que ele gera desvantagem para gigantes de cartão de crédito como Visa e Mastercard. Há o temor de que o BC possa dar tratamento preferencial ao sistema, prejudicando fornecedores norte-americanos de serviços de pagamentos eletrônicos.
Apesar das críticas, outros países demonstram interesse na tecnologia. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, já solicitou publicamente ao Brasil que estenda o Pix para seu país.
Pix já funciona no exterior de forma limitada
Atualmente, já é possível realizar transações com Pix no exterior, desde que envolvam contas de origem e destino brasileiras e haja conexão à internet. Algumas fintechs também permitem pagamentos via Pix para empresas brasileiras, com a liquidação ocorrendo por meio de arranjos próprios ou transferências internacionais. Estabelecimentos em locais populares entre turistas brasileiros, como Miami, Argentina, Uruguai, Paraguai, Portugal e França, também aceitam Pix.
O Banco Central também trabalha em outras novidades para o Pix, como a cobrança híbrida para boletos com QR code, que se tornará obrigatória em novembro, e a adaptação do sistema ao pagamento de impostos em tempo real.
Fonte: Moneytimes