PIB da China desacelera: Guerra comercial e demanda fraca impactam economia

PIB da China desacelera para o ritmo mais fraco em um ano devido à guerra comercial e demanda interna fraca, destacando riscos estruturais.
PIB da China desacelera — foto ilustrativa PIB da China desacelera — foto ilustrativa
Porto de Yangshan, China 17/06/2025. REUTERS/Go Nakamura/File Photo

O crescimento econômico da China registrou sua menor taxa em um ano no terceiro trimestre. A frágil demanda doméstica levou o país a depender mais de suas fábricas exportadoras, intensificando preocupações sobre desequilíbrios estruturais profundos.

A taxa de crescimento de 4,8% no terceiro trimestre, embora em linha com as expectativas, mantém a China no caminho para atingir sua meta de aproximadamente 5% para o ano. No entanto, a dependência crescente da economia em relação à demanda externa, em um cenário de tensões comerciais com os Estados Unidos, levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse ritmo.

Pequim pode estar utilizando essa resiliência econômica como demonstração de força em negociações diplomáticas, como a reunião entre o vice-premiê He Lifeng e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e uma possível futura conversa entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

Impacto da Guerra Comercial nas Exportações Chinesas

Empresas exportadoras chinesas sentem o aperto. Jeremy Fang, diretor de vendas de uma fabricante de produtos de alumínio, relatou uma perda de 20% em sua Receita. As vendas para mercados como América Latina, África, Sudeste Asiático, Turquia e Oriente Médio não conseguiram compensar a queda de 80% a 90% nos pedidos originários dos Estados Unidos.

Gráfico de exportações chinesas mostrando queda em direção aos EUA.
Exportações chinesas para os EUA em queda.

Fang destacou a necessidade de uma competitividade implacável em termos de preço para garantir pedidos, mesmo que signifique aceitar margens menores. Essa intensa concorrência entre exportadores chineses agrava a fraqueza interna, forçando cortes de salários e empregos.

Demanda Interna Fraca e Setor Imobiliário em Crise

Enquanto a produção industrial apresentou um crescimento de 6,5% em setembro – a maior alta em três meses –, as vendas no varejo desaceleraram para 3,0%, o menor índice em 10 meses. Essa queda reflete o impacto nos consumidores.

O setor imobiliário, um pilar da economia chinesa, continua em crise. Os preços das casas novas registraram a maior queda em 11 meses em setembro, e o investimento no setor caiu 13,9% nos primeiros três trimestres do ano.

Imagem ilustrativa de mercado imobiliário chinês em declínio.
Investimento imobiliário chinês em queda acentuada.

“O crescimento da China está se tornando cada vez mais dependente das exportações, que estão compensando a desaceleração da demanda interna”, avalia o analista Julian Evans-Pritchard, da Capital Economics. Ele alerta que esse padrão de desenvolvimento não é sustentável e pode levar a uma desaceleração ainda maior no médio prazo, caso não haja medidas mais proativas para apoiar os gastos dos consumidores.

Análise e Perspectivas para a Economia Chinesa

A situação atual expõe um risco estrutural na economia chinesa, que necessita de uma reorientação para fortalecer o consumo interno. A guerra comercial com os EUA e a demanda global enfraquecida criam um cenário desafiador para as exportações.

Analistas sugerem que o Governo chinês precisa implementar políticas mais eficazes para estimular o consumo, garantindo um crescimento mais equilibrado e sustentável a longo prazo. A dependência excessiva de um único motor de crescimento, como as exportações, torna a economia vulnerável a choques externos.

Fonte: InfoMoney

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