O preço do petróleo registrou alta nesta segunda-feira (6), impulsionado pelas incertezas em torno da Guerra no Irã, que sustentaram os valores da commodity em um pregão marcado pela volatilidade. Na máxima da sessão, o petróleo Brent, referência global, chegou a US$ 111,68, com uma valorização de 2,43%.


Durante a manhã, os barris Brent e WTI (West Texas Intermediate, referência nos EUA) apresentaram recuo com a perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã. No início da tarde, contudo, o movimento se inverteu após o Irã negar uma trégua e o presidente americano, Donald Trump, reforçar que o prazo final para um cessar-fogo é terça-feira (7).
A alta se manteve até o fim da sessão, com o Brent fechando em avanço de 0,61%, cotado a US$ 109,70. O WTI subia 0,14%, a US$ 112,82, no fechamento.
Negociações entre EUA e Irã
EUA e Irã negociam um plano para encerrar o conflito que já dura cinco semanas. O Irã afirmou que a guerra continuará até quando for preciso e ofereceu aos EUA dez pontos para negociação, incluindo um acordo para o uso do Estreito de Hormuz, o fim das sanções econômicas ao país e provisões para a reconstrução nacional.
Donald Trump comentou que as negociações são significativas, mas não suficientes. Teerã rejeitou uma trégua provisória, pedindo uma solução definitiva para os conflitos na região. O plano intermediado pelo Paquistão propõe um cessar-fogo imediato, seguido de negociações sobre um acordo mais amplo a ser concluído dentro de 15 a 20 dias, segundo uma fonte informada sobre as propostas.
Trump estabeleceu que o Irã tem até esta terça-feira para firmar um acordo com os EUA, classificando o prazo como final e inegociável. Ele também reiterou a necessidade de impedir que Teerã desenvolva armas nucleares.
Impacto no mercado de petróleo
A OPEP+ alertou que os danos aos ativos energéticos causados pela guerra terão impacto prolongado no fornecimento de petróleo, mesmo após o fim das hostilidades. Os membros da organização aprovaram um aumento simbólico nas cotas de produção em uma reunião de fim de semana.
O mercado de petróleo tem sido afetado pela guerra, que provocou um choque de oferta sem precedentes e gerou uma crise energética global. Os preços do petróleo e de seus derivados dispararam, alimentando pressões inflacionárias, prejudicando o crescimento econômico e aumentando a pressão sobre empresas e consumidores.
Os investidores têm demonstrado apreensão com as mensagens contraditórias de Trump sobre o conflito, com o líder americano alternando entre afirmações de que a guerra terminaria em breve e ameaças de intensificar os ataques. Ele também tem um histórico de estabelecer prazos que, posteriormente, não cumpre.
Controle do Estreito de Hormuz
O controle do Estreito de Hormuz, que conecta o Golfo Pérsico a mercados mais amplos, especialmente na Ásia, continua sendo central para o conflito. Teerã impôs sua autoridade sobre a via marítima, permitindo a passagem de um pequeno número de embarcações.
O Irã anunciou no sábado que o Iraque estaria isento das restrições no estreito, o que pode permitir um aumento nos carregamentos de petróleo. Ainda assim, um funcionário iraquiano adotou um tom cauteloso, indicando que o fluxo dependerá da disposição das empresas de transporte em assumir o risco de utilizar essa rota comercial.
Bolsas Asiáticas Fecham em Alta
O índice acionário japonês Nikkei encerrou em alta nesta segunda-feira, com investidores focando em sinais de que as tensões no Oriente Médio poderiam diminuir. O Nikkei subiu 0,55%. Em Seul, na Coreia do Sul, o índice KOSPI avançou 1,36%. As Bolsas asiáticas fecham durante a madrugada do Brasil.
Nos Estados Unidos, as Bolsas subiram após um pregão volátil. O índice Dow Jones avançou 0,35%, enquanto o S&P 500 e a Nasdaq registraram altas de 0,45% e 0,54%, respectivamente. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, operava próximo da estabilidade, com queda de 0,02%.
Fonte: UOL