A forma como os mercados reagem às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra com o Irã pode ter grandes efeitos sobre os preços do petróleo. Às vezes, o preço oscila instantaneamente em reação às suas palavras, e outras vezes o mercado simplesmente ignora a situação.
Nos últimos dias, o mercado parece mais cético quando Trump diz que o conflito pode terminar em breve. Isso significa que ele pode ter mais dificuldade em derrubar os preços do petróleo simplesmente fazendo tais anúncios. Suas declarações também ocorrem em meio à continuidade dos combates no Golfo, incluindo ataques à infraestrutura energética. O bloqueio aos navios-tanque que transportam petróleo da região também influencia as ações dos investidores.
Perda de força nas declarações
Para entender essa mudança de comportamento do mercado, é preciso voltar duas semanas atrás. Em 23 de março, Trump anunciou em sua rede social uma pausa de cinco dias nos ataques à infraestrutura energética e o início de negociações com o Irã, negociações que o Irã negou terem ocorrido. Nesse dia, investidores reagiram rapidamente, fazendo com que o preço dos contratos futuros de petróleo caísse acentuadamente. A cotação do contrato de petróleo bruto Brent para maio, que estava acima de US$ 110 o barril, despencou para menos de US$ 100.
A fala de Trump pareceu tranquilizar os investidores, dando a entender que a situação no Estreito de Ormuz, já obstruído para petroleiros, não pioraria. Os preços do petróleo geralmente caem quando a pressão sobre a oferta diminui.
Declarações subsequentes com menor impacto
Desde então, porém, os contratos futuros de petróleo não reagiram na mesma medida a declarações semelhantes do presidente americano. Em 26 de março, Trump anunciou uma pausa de dez dias nos ataques. Desta vez, os contratos futuros de petróleo, cotado a quase US$ 108 por barril, caíram brevemente para menos de US$ 105, mas recuperaram-se para perto do preço anterior em poucos minutos.
Na segunda-feira seguinte, 30 de março, os contratos futuros de petróleo haviam retornado a preços semelhantes aos de antes de Trump falar sobre diplomacia na semana anterior. E o mercado agora parecia ignorar as declarações de Trump, nas quais ele frequentemente oscilava entre diplomacia e ameaças.
Informações desencontradas e estabilidade do mercado
Na manhã de quarta-feira, 1º de abril, Trump publicou em seu perfil na Truth Social que o Irã havia pedido um cessar-fogo, embora o principal diplomata iraniano tenha negado anteriormente que negociações estivessem em andamento. Na mesma publicação, Trump também escreveu: “Até lá, vamos aniquilar o Irã”. Mais uma vez, os preços do petróleo permaneceram estáveis, girando em torno de US$ 100 por barril.
Mas naquela noite, em seu pronunciamento na TV transmitido à nação, Trump prometeu continuar bombardeando o Irã, sem, contudo, oferecer novas informações sobre quando esperava que a guerra terminasse. Isso chamou a atenção do mercado: enquanto Trump discursava, o preço do petróleo subiu. Saiu de US$ 100 o barril para perto de US$ 105.
Após essas oscilações, o preço do petróleo voltou a se aproximar do nível anterior ao anúncio das negociações e da suspensão dos ataques por Trump, há duas semanas. Fechou a US$ 109 por barril na quinta-feira, dia 2 de abril, uma alta de mais de 50% desde o início da guerra. Nos Estados Unidos, o aumento do petróleo puxou o preço da gasolina, que atingiu US$ 4,10 por galão no sábado, 3 de abril, ante US$ 2,98 por galão, que era o preço médio antes da guerra.
Fonte: Estadão