As medidas econômicas anunciadas pelo governo federal para conter o impacto da alta dos combustíveis, impulsionada pela tensão no Oriente Médio, não devem gerar prejuízos relevantes no resultado consolidado da Petrobras. No entanto, a leitura de especialistas do mercado financeiro é que a defasagem de preços, especialmente no óleo diesel, concentra o risco.
A exploração e produção devem sustentar o desempenho da companhia, mas o refino pode sofrer impactos negativos. O governo federal anunciou novas subvenções sobre o diesel, principalmente o importado, e benefícios para o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e o setor de aviação.
A economista-chefe da InvestSmart XP, Mônica Araújo, avalia que, se as medidas forem acompanhadas de um reajuste pela Petrobras, a empresa não sentirá o impacto. Contudo, se servirem apenas para compensar reajustes já efetuados, haverá prejuízo, especialmente na importação de derivados.
Defasagem de preços e importações
Desde o início do conflito, a Petrobras enfrenta desafios com a defasagem de preços. A gasolina apresenta uma defasagem de 50% a 55%, e o diesel, de cerca de 70%. A analista do Itaú BBA, Monique Martins Greco, observa que os subsídios aproximam o preço percebido pela Petrobras do custo alternativo do cliente, reduzindo o desconto.
A incerteza permanece sobre o fornecimento de diesel importado e se a estatal terá acesso ao subsídio caso precise voltar a importar. A medida provisória preliminar indica que, para receber o subsídio de R$ 0,80 por litro, a Petrobras seria obrigada a aumentar os volumes vendidos aos distribuidores, o que pode exigir o retorno às importações.
Impacto econômico e governança
O economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, ressalta que as subvenções ocorrem em um contexto de pressão pela perda de popularidade do presidente. A oferta de diesel não será restabelecida mesmo com o subsídio à importação, e a defasagem no diesel ainda é significativa.
A subvenção busca amortecer o impacto do aumento dos preços, dificultando a comprovação de desequilíbrio enquanto o benefício estiver em vigor. A discussão sobre o impacto real pode ganhar novo fôlego após o fim da ajuda, caso se comprove um efeito não previsto contratualmente.
Fonte: Estadão