O peso argentino interrompeu uma sequência de cinco dias de perdas, registrando uma valorização em meio a intervenções cambiais contínuas dos governos local e dos Estados Unidos. O movimento busca estabilizar a moeda às vésperas de eleições cruciais para o presidente Javier Milei.
O banco central argentino interveio para sustentar a moeda pela primeira vez em aproximadamente um mês, após o peso se aproximar do limite inferior de sua banda de negociação. O Tesouro dos EUA também realizou intervenções, segundo fontes familiarizadas com o assunto. Inicialmente, o peso chegou a valorizar 0,6% no pregão desta quarta-feira, antes de reduzir o avanço para 0,2%, cotado a cerca de 1.487 pesos por dólar.
Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, confirmou a assinatura de uma linha de swap de US$ 20 bilhões com a Argentina, descrevendo-a como uma ponte para um futuro econômico melhor, e não um resgate financeiro. Contudo, esforços para obter financiamento similar do setor privado ainda enfrentam incertezas quanto a termos, estrutura e garantias.
Contexto da Intervenção Cambial
Juan Manuel Pazos, economista da corretora One618, alertou que o uso intensivo da linha de swap de US$ 20 bilhões para defender a moeda pode rapidamente desequilibrar a balança. Ele sugere que, para manter o regime cambial a longo prazo, um segundo resgate de US$ 20 bilhões de bancos seria necessário.
Luis Caputo, chefe de economia de Milei, reafirmou em publicações no X que não haverá mudanças na política cambial. As bandas de negociação do peso, estabelecidas em abril como parte do acordo da Argentina com o FMI, são cada vez mais vistas por investidores como um suporte a uma moeda supervalorizada.
Impacto Político e Pressões nos EUA
A situação política local também gera atenção. Gerardo Werthein, ministro das Relações Exteriores da Argentina e figura chave nas negociações com os EUA, apresentou sua renúncia. Nos EUA, as Críticas da senadora Elizabeth Warren aos gastos americanos em resposta à paralisação do governo levaram Bessent a defender o apoio à Argentina como uma questão de “missão crítica”, visando um aliado fundamental que busca políticas fiscalmente responsáveis e liberdade econômica.
Mercados e Expectativas Futuras
Joaquin Bagues, diretor-gerente da Grit Capital Group, observou que os mercados argentinos demonstram sinais de exaustão devido à intensa comunicação entre autoridades americanas e argentinas nas redes sociais. Ele ressalta que o Mercado reagirá a evidências concretas, e não apenas a anúncios, buscando maior certeza para reinvestir.
Fonte: Valor Econômico