O Primeiro Comando da Capital (PCC) elaborou um plano para assassinar o promotor de Justiça Lincoln Gakiya e o diretor de presídios da região Oeste de São Paulo, Roberto Medina. Uma célula com 16 investigados, incluindo criminosos de alta periculosidade com apelidos como Corinthinha, VH, Ju Machado e Messi, foi identificada pelo Gaeco, braço do Ministério Público que combate o crime organizado.
A operação policial, batizada de Recon, visa desarticular essa rede criminosa. O juiz Adriano Camargo Patussi, da Vara Regional das Garantias de Presidente Prudente, autorizou buscas e a quebra de sigilo telefônico e de e-mails dos suspeitos. A investigação apura a existência de células locais incumbidas pela cúpula do PCC de realizar levantamentos da rotina de autoridades públicas com o objetivo de atentar contra suas vidas.
Identificação dos Integrantes da Célula
Victor Hugo da Silva (VH), Welisson Rodrigo Bispo de Almeida (Corinthinha) e Sérgio Garcia da Silva (Messi) já haviam sido identificados como membros da célula responsável por espionar e planejar a eliminação de Lincoln Gakiya e Roberto Medina. A investigação também buscou confirmar a participação de Ju Machado – Adilson Audinir Oliveira Júnior – como interlocutor de Messi e se Corinthinha era o destinatário direto das informações coletadas.
Ju Machado é apontado pela Polícia Civil como a pessoa com quem Messi discutiu uma lista de alvos que incluía integrantes do BAEP (Batalhão de Ações Táticas da Polícia Militar). Segundo o relatório, ambos expressavam receio de serem mortos caso as tratativas viessem à tona. Uma correspondência interceptada de Messi, destinada a Ericka Marques dos santos, também forneceu pistas para a identificação de Ju Machado.
Aprofundamento das Investigações e Plano Detalhado
A análise do conteúdo do celular de Corinthinha, apreendido em flagrante, comprovou que ele recebia as mensagens de VH contendo os levantamentos sobre os alvos. O rastreamento policial revelou que o plano do PCC ia além de Roberto Medina, abrangendo detalhes preocupantes sobre a rotina de sua companheira, Jacqueline.
No celular de messi, foram encontrados indícios de que ele também realizava levantamentos sobre autoridades e era um integrante importante do PCC local. Dados extraídos do aparelho, incluindo áudios, mostram Messi negociando fuzis e apresentando prints de mapas de georreferenciamento com localizações precisas em Presidente Prudente, incluindo a sede do Ministério Público.
Histórico de Ameaças e Neutralização do Plano
Roberto Medina e Lincoln Gakiya são alvos antigos do PCC. Ambos já tiveram seus nomes envolvidos em planos anteriores da facção para criar “cadáveres excelentes”, como no caso do ex-delegado-geral de Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes. Segundo o Gaeco, os criminosos já haviam identificado, monitorado e mapeado os hábitos diários das autoridades, demonstrando o alto grau de periculosidade e ousadia da organização.
A célula operava sob um rígido esquema de compartimentação, onde cada integrante exercia uma função específica sem conhecer a totalidade do plano, o que dificultava a detecção. A ação integrada entre as polícias e o Ministério Público foi crucial para detectar e neutralizar o plano antes que fosse executado, impedindo que o crime organizado alcançasse seus objetivos.
Fonte: Estadão