Educação Pública: Parcerias Privadas Podem Salvar o Sistema Falho

Crise crônica na educação pública: 95% dos alunos não sabem matemática. Parcerias privadas podem ser a solução, como comprovam exemplos no Brasil e no exterior.
parcerias setor privado educação — foto ilustrativa parcerias setor privado educação — foto ilustrativa

A educação pública brasileira enfrenta uma crise crônica, com cerca de 95% dos alunos do ensino médio saindo sem o conhecimento adequado em matemática. Os resultados no PISA, da OCDE, mostram pouca evolução em mais de uma década, apesar do aumento de investimentos. Recentemente, o projeto Somar em Minas Gerais, que permitiu a gestão privada em três escolas públicas de Belo Horizonte, demonstrou melhorias significativas, com redução de faltas de professores e aumento de desempenho. Contudo, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) vetou a iniciativa, acatando ação do sindicato de professores, um reflexo da resistência a mudanças no sistema educacional brasileiro.

O monopólio estatal na educação pública, apesar de ineficaz, se mantém devido à burocracia, Falta de competição e incentivos. A reação feroz a qualquer tentativa de mudança solidifica um cenário de status quo. Diversos fatores explicam essa inércia: a gravidade do problema é tratada de forma lenta, ao contrário de crises mais urgentes como na saúde; famílias de menor renda carecem de poder de pressão, enquanto sindicatos e ONGs ideológicas exercem influência; e a indiferença de quem pode pagar por educação privada, protegendo seus filhos do sistema estatal.

Modelos de Sucesso em Gestão Privada

Existem exemplos notórios de sucesso que poderiam inspirar o Brasil. Na Inglaterra, o sistema de Academies, onde escolas públicas adotam gestão privada, tem sido um modelo eficaz. No Rio de Janeiro, o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), na Floresta da Tijuca, gerido há 25 anos por uma Organização Social privada, é um exemplo de excelência em ensino e pesquisa. A pergunta que ecoa é: qual princípio metafísico impede a aplicação desse modelo na educação básica brasileira?

Parcerias Privadas: Um Caminho para a Melhoria

O setor privado já demonstrou sua capacidade de aprimorar serviços essenciais no Brasil. Aeroportos, cultura, ciências, Meio Ambiente, parques e até mesmo portos se beneficiaram com a migração para gestão privada ou parcerias público-privadas (PPPs). O Porto Digital no Recife, o Parque das Cataratas do Iguaçu e o Parque Ibirapuera em São Paulo são exemplos de sucesso. Se o modelo funciona em tantas outras áreas, é razoável questionar por que a educação pública não deveria se beneficiar.

A resistência à adoção de parcerias privadas na educação parece ser motivada mais pelo mando de corporações do que por princípios pedagógicos sólidos. Ao optarmos pelo atraso neste setor crucial, deixamos de lado o potencial de recuperação e avanço. A qualidade da educação pública só será priorizada quando for tratada com o mesmo rigor e seriedade dedicados à qualidade de nossos aeroportos, por exemplo. É um cenário que precisa, e pode, ser transformado.

Fonte: Estadão

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