A Rodovia Presidente Dutra (BR-116), crucial para metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, está prestes a ter um de seus trechos mais críticos modernizado. As sinuosas curvas da Serra das Araras, com oito quilômetros de extensão e um traçado original de 1928, entre Piraí e Paracambi no sentido Rio de Janeiro-São Paulo, estão com os dias contados. Metade das obras, iniciadas em abril do ano passado, foi concluída em outubro, e a expectativa é de que os trabalhos sejam totalmente finalizados em 2027, dois anos antes do previsto em contrato.

Duplicação e Viadutos Transformam a Serra das Araras
O projeto da nova Serra das Araras prevê a construção de 24 viadutos sobre a atual pista de subida (sentido São Paulo). Com a duplicação, o trecho contará com quatro faixas em cada sentido, prometendo reduzir o tempo de viagem para carros, ônibus e caminhões, graças a um traçado mais suave. Oito desses viadutos serão entregues já no primeiro trimestre de 2025, provavelmente em fevereiro, e começarão a receber o fluxo da pista de subida.
Virgilius Morais, gerente de Engenharia e Obras da CCR RioSP, concessionária responsável pelo trecho, destacou a importância da obra: “A gente corrige o traçado (em relação ao original). É uma condição muito mais favorável para a segurança, com menos acidentes. É uma obra emblemática, em um gargalo do país. É um bem para a sociedade, melhorar a vida das pessoas através da mobilidade.”
Produção de Vigas e Supercargas na Obra
A visita guiada por Virgilius Morais em um canteiro de obras em Seropédica revelou a complexidade do projeto. No local, 450 vigas estão sendo fabricadas para os novos viadutos. Delas, 102 já foram instaladas, de um total de 210 produzidas. Essas estruturas podem atingir 41,8 metros de comprimento, o equivalente a dez carros enfileirados. A instalação, que utiliza guindastes e treliças, exige o fechamento temporário do trânsito.
As chamadas supercargas, veículos de grande porte, serão as maiores beneficiadas. Com as novas pistas, será possível manter o fluxo de veículos mesmo durante a passagem dessas peças gigantes, algo inviável atualmente, quando carretas desse porte precisam descer a serra pela contramão da pista de subida, interrompendo o trânsito.
Desafios da Engenharia: Cortes de Morro e Implosões
A engenharia da obra enfrenta desafios significativos, como o corte de morros para abrir espaço às novas pistas. Após a remoção da terra com máquinas, rochas são implodidas e o material é reaproveitado para aterramentos. Para as detonações, o sentido São Paulo da Serra das Araras é interditado de segunda a quinta-feira, entre 13h e 15h.
De um total previsto de 600 mil metros cúbicos de rocha a serem removidos, 370 mil já foram retirados. Esse volume, suficiente para encher mais de 24 mil caçambas de caminhão, é escoado por uma pista de serviço dedicada, acelerando o processo. Cerca de 2,5 mil operários trabalham em dois turnos para tirar o projeto do papel.
“Em outubro, chegamos a 18 meses de obras e à marca expressiva de 50% do avanço físico. Então, temos a expectativa de, no primeiro trimestre de 2027, ter as duas pistas entregues”, afirmou Virgilius Morais.
Alterações de Uso e Benefícios Futuros
Ao final das obras, a atual pista de subida será desativada. A pista de descida, que não passará por intervenções, será destinada aos moradores locais e poderá ser utilizada pela concessionária como via de contingência em caso de problemas nas novas pistas. Nas novas vias, a velocidade máxima permitida será elevada de 40 km/h para 80 km/h.
Com um investimento estimado em R$ 1,5 bilhão, o projeto inclui acostamentos ao longo do percurso para evitar engarrafamentos, duas áreas de escape para veículos com problemas nos freios, e três passarelas para atender aos moradores das vilas Cruzeiro, Cristã e Caiçara.
A Serra das Araras, que supera um desnível de 400 metros, tem 30% de seu tráfego composto por veículos pesados, transportando cerca de 43,96 toneladas de carga anualmente, segundo dados do Ministério dos Transportes. A modernização visa não apenas a segurança, mas também a fluidez logística e econômica de um dos corredores de transporte mais importantes do Brasil.
Fonte: InfoMoney