Nino Cais reinventa estátuas gregas com origamis e capas de livros

Nino Cais reinventa estátuas gregas com origamis e capas de livros, explorando a corporalidade pela ausência e a materialidade em sua mostra.

O artista Nino Cais utiliza omissões e sobreposições de materiais para reinterpretar imagens de estátuas gregas em sua mostra “Uma Nova Ideia de Voo”. A exposição, que ocorre na galeria Lume, transforma páginas antigas e capas de livros em intervenções artísticas, onde elementos como rostos, braços e pernas são ocultados ou substituídos por outros materiais.

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Obras exploram a corporalidade pela ausência

Cais descreve suas obras como encontros entre diferentes texturas e superfícies, comparando o processo a uma cirurgia. A sobreposição de materiais e a retirada de partes da imagem original revelam novas formas e levam o espectador a projetar elementos ausentes. Intervenções em imagens de líderes egípcios e estátuas romanas demonstram essa técnica, onde fragmentos fotográficos criam rostos mutantes ou confundem detalhes de mármore com partes do corpo.

Materiais diversos criam novas narrativas visuais

Em experimentos com capas literárias, Cais utiliza cores e texturas variadas para ocultar olhares de estátuas, fazendo com que as peças investiguem o próprio conteúdo dos livros. Em alguns casos, o interior das páginas se abre para o público, convidando-o a se tornar parte da obra. O artista também explora o peso das esculturas, especialmente as cabeças, conectando-as ao raciocínio e à criatividade humana, e devolvendo-as aos livros de origem, mas com dimensões ampliadas.

A materialidade como ponto central da arte

A exposição também apresenta camisetas revestidas por bolinhas de bronze, onde parte das esferas flutua e outras se espalham pelo chão, reforçando a noção de peso. Brochuras são transformadas em desenhos de origami, costuradas com tecidos diferentes e inscrevendo novos formatos sobre moldes tradicionais. Embalagens douradas de café cobrem imagens originais, tensionando elementos nobres e domésticos e subvertendo a definição de objeto artístico. Cais enfatiza a importância das dimensões táteis, contrastando a profundidade da imagem impressa com a velocidade de expulsão da imagem digital, que, segundo ele, diminui a sensibilidade e gera carência pela materialidade.

Identidade e fragmentação em novas obras

Uma série de facas penduradas dentro de um armário representa “cortes” humanos resultantes da socialização e da filtragem de conhecimentos e experiências. A obra tridimensional, com sua aparência fálica e características de corpo compacto, é marcada por fraturas. Os reflexos nas superfícies metálicas fragmentam o ambiente e as pessoas. Ao final da galeria, origamis em forma de pássaros criam um jardim, simbolizando a liberdade dos livros para assumirem as formas que desejarem. Cais reitera que a ausência do rosto em seus trabalhos força o espectador a lidar com a matéria, em vez de se prender a opiniões formadas por sentimentos.

Fonte: UOL

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