As ações da Nike registraram uma queda acentuada após a divulgação de projeções financeiras decepcionantes para o ano fiscal de 2026. A receita total no terceiro trimestre do ano fiscal de 2026 ficou estável em US$ 11,28 bilhões, superando ligeiramente as expectativas de Wall Street. O lucro por ação (EPS) caiu 35% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 0,35, mas ainda assim superou o consenso de US$ 0,29.


Apesar de ter superado as projeções de receita e margem bruta no trimestre encerrado em fevereiro, a empresa enfrenta desafios. A gestão da Nike acredita estar no meio de seu processo de recuperação, mas a persistência de projeções fracas tem gerado ceticismo no mercado. A limpeza de estoques, que impactou negativamente os resultados em cerca de cinco pontos percentuais, foi descrita pelo CEO Elliott Hill como uma ação intencional e necessária para melhorar a saúde do mercado e a qualidade da receita.
Desafios na recuperação e projeções futuras
A Nike planeja concluir suas ações de recuperação até o final do ano civil e apresentará uma visão mais abrangente e de longo prazo do negócio em um dia do investidor no outono. No entanto, a projeção para o quarto trimestre fiscal de 2026 foi inferior às expectativas do mercado, tanto em receita quanto em lucro por ação. A receita deve cair entre 2% e 4%, com crescimento na América do Norte parcialmente compensado por uma queda de 20% na Grande China e em Converse.
As margens brutas devem melhorar sequencialmente, mas ainda assim apresentarão uma queda anual de 25 a 75 pontos base, incluindo um impacto de 250 pontos base de tarifas. As despesas administrativas e de vendas (SG&A) devem permanecer estáveis ou ligeiramente em queda, com o lucro por ação previsto para ficar estável em relação ao ano anterior.
Desempenho regional e de canais
Na América do Norte, a região mais avançada no processo de recuperação, as vendas apresentaram um crescimento modesto de 3%, o que pode ser interpretado como um sinal de retrocesso pelo mercado. Apesar do aumento nas vendas, o lucro antes de juros e impostos (EBIT) caiu 11% no trimestre. As margens brutas caíram 360 pontos base em relação ao ano anterior.
A China apresentou uma surpresa positiva, com a queda nas vendas desacelerando para cerca de 7% (ou 10% em base neutra de moeda), superando as estimativas dos analistas. O EBIT na região se recuperou, apresentando um crescimento anual de 11%. No entanto, a projeção pessimista para o quarto trimestre na China ofuscou a melhora observada.
As vendas da Converse caíram 35% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 264 milhões, com um prejuízo de EBIT de US$ 40 milhões, indicando a necessidade de uma reestruturação neste segmento. As vendas de atacado da Nike aumentaram 5% em base reportada, enquanto a receita direta da Nike, incluindo canais digitais e lojas próprias, caiu 4%.
Fonte: Cnbc