MBL lança partido Missão contra bolsonarismo e Novo

O MBL lança o partido Missão, focado em jovens e com propostas distintas do bolsonarismo e Novo. Saiba mais sobre as ambições políticas da nova sigla.
partido Missão MBL — foto ilustrativa partido Missão MBL — foto ilustrativa

O recém-aprovado TSE deu o aval para a criação do partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL). A nova sigla promete lançar candidaturas à Presidência e a governos estaduais, marcando sua posição com uma rejeição clara a alianças com o bolsonarismo e o partido Novo. Essa movimentação visa ampliar a disputa pelo eleitorado de direita no Brasil, buscando um espaço distinto no espectro político.

Diferenciação da Direita Brasileira

Renan Santos, futuro presidente do Missão, afirmou que a oposição ao governo Lula, feita por outros grupos de direita, tem focado excessivamente na anistia para o ex-presidente Bolsonaro. Ele critica a Falta de propostas ideológicas robustas, declarando: “Não somos a mesma direita que os caras.” O rompimento do MBL com Bolsonaro já havia ocorrido durante o mandato do ex-presidente, evidenciado pela candidatura de Kim Kataguiri à presidência da Câmara com pauta de impeachment e embates frequentes nas redes sociais.

Renan Santos, futuro presidente do partido Missão, em evento. O MBL busca se diferenciar do bolsonarismo e do Novo.
Renan Santos, futuro presidente do partido Missão.

Santos mantém Críticas ao grupo bolsonarista e ao partido Novo, argumentando que o Missão se concentrará em conquistar o público jovem insatisfeito com o atual governo, além de explorar o eleitorado liberal-conservador. “O Novo aposta nas ‘tias do Zap’ do Bolsonaro. A gente aposta no millennial pistola e na geração Z”, declarou.

Propostas e Agenda Distinta

O dirigente do Missão contrapõe a pauta de oposição focada em anistia com propostas como “desfavelização” e a classificação de facções como terroristas, inspiradas por ações como as de Donald Trump nos EUA. Ele questiona se políticos como Nikolas Ferreira, do PL, abordam temas como a desfavelização, sugerindo que o Missão pauta assuntos que outros grupos ignoram. O termo “desfavelização” ganhou tração com visualizações de favelas reurbanizadas por Inteligência Artificial, associado por Santos à “falta de autoridade do Estado para reprimir invasões”.

Membros do MBL em reunião. O partido Missão busca candidatos alinhados à sua agenda.
Membros do MBL em evento.

Santos também destacou que o Missão buscará candidatos alinhados à agenda do grupo, sem intenção de atrair figuras conhecidas de outras siglas, exigindo que pré-candidatos se comprometam com a pauta e se retratem de posições anteriores. Figuras como os influenciadores Paulo Cruz e Ricardo Almeida são mencionados como potenciais nomes a serem lançados, dada sua atuação na Defesa da agenda do MBL nas redes sociais e YouTube, onde o movimento informa ter 1.100 colaboradores.

Análise de Mercado e Cenário Político

Para André Borges Carvalho, professor da UnB, a força da onda anticorrupção e da Lava Jato, que impulsionaram o MBL, diminuiu. Ele percebe uma divisão na direita entre bolsonaristas e um campo conservador pró-mercado. Carvalho ressalta que, embora Lula tenha mantido o controle do PT com uma estrutura partidária sólida, Bolsonaro não comanda o PL, mas uma candidatura de direita viável ainda necessita do eleitorado do ex-presidente. Renan santos rejeita a ideia de que o Missão possa favorecer a esquerda ao dividir a direita, argumentando que sua oposição a Bolsonaro no passado demonstra a inconsistência dessa visão. Ele também descarta acordos regionais com bolsonaristas, criticando figuras como Tarcísio de Freitas.

Registro de evento político. O partido Missão, do MBL, busca se consolidar como uma alternativa de direita.
Registro de evento político.

A coleta das 589 mil assinaturas necessárias para o registro do partido foi financiada pela venda de uma coleção de livros com propostas da sigla, com custos estimados entre R$ 2 e R$ 3 por assinatura. O MBL, fundado há 11 anos após os protestos de 2013 e com representantes eleitos por partidos como o União Brasil, enfrentou abalos em 2022 com a divulgação de áudios misóginos de Arthur do Val (Mamãe Falei), que resultou em sua cassação e inelegibilidade.

Fonte: Folha de S.Paulo

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