Militar critica presidente do STM por pedir perdão às vítimas da ditadura

Ministro do STM critica presidente da Corte por pedir perdão às vítimas da ditadura. Carlos Augusto Amaral Oliveira sugere que Maria Elizabeth Rocha estude mais história.
ministro militar critica presidente STM — foto ilustrativa ministro militar critica presidente STM — foto ilustrativa

O ministro Carlos Augusto Amaral Oliveira, do Superior Tribunal Militar (STM), criticou a presidente da Corte, Maria Elizabeth Rocha, por pedir desculpas às vítimas da ditadura militar em nome da Justiça Militar. Em pronunciamento sem a presença da ministra, Amaral Oliveira sugeriu que ela deveria “estudar um pouco mais de História” para opinar sobre o período e as pessoas a quem pediu perdão.

Críticas à abordagem política

Segundo o ministro, o posicionamento da presidente do STM foi superficial e teve uma “abordagem política”. Ele ressaltou que, embora ela possa expressar suas opiniões pessoais, não deveria fazê-lo em nome de todo o tribunal, pois ele discorda do conteúdo manifestado. Carlos Augusto Amaral Oliveira ocupa o cargo de Tenente-Brigadeiro do Ar, o mais alto na hierarquia da Aeronáutica.

Contexto do pedido de perdão

O protesto de Amaral Oliveira refere-se ao discurso de Maria Elizabeth Rocha em um ato inter-religioso realizado na Catedral da Sé, em São Paulo. Na ocasião, que marcou os 50 anos da morte do jornalista Vladimir Herzog, assassinado durante a ditadura militar, a ministra pediu perdão em nome do STM “a todos que tombaram e sofreram lutando pela liberdade no Brasil” pelos “erros e omissões judiciais cometidos durante a ditadura”.

A ministra citou nominalmente Vladimir Herzog e sua família, Paulo Ribeiro Bastos e sua família, Rubens Paiva, Miriam Leitão e seus filhos, José Dirceu, Aldo Arantes, José Genoíno, Paulo Vannuchi, João Vicente Goulart, além de outros que foram vítimas de torturas, mortes, desaparecimentos forçados e exílio.

Maria Elizabeth Rocha: Perfil e Iniciativas

Maria Elizabeth Rocha é a primeira mulher a presidir o STM. Sendo uma ministra civil, ela tem se posicionado frequentemente de forma divergente em um tribunal composto majoritariamente por militares. Em sua gestão, ela determinou a degravação de todos os áudios das sessões secretas referentes a presos políticos julgados durante a ditadura.

Um contexto pessoal relevante é que a ministra é casada com o general de divisão Romeu Costa Ribeiro Bastos. Um irmão dele, Paulo Costa Ribeiro Bastos, que foi militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e atuou contra a ditadura, foi torturado e morto pelas forças militares.

Fonte: Estadão

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